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10月31日 " A FINALIDADE DOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRIOS " POR EDMUNDO MAIA DO LIVRO INSTANTÂNEOS NA VIDA DE UM PSIQUIATRA.ÀS FLS 110/115. A FINALIDADE DOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS
Escrito pelo Dr.Edmundo Maia/médico psiquiátrico
"Antes não ter Hospital Psiquiátrico
do que er maus Hospitais Psiquiátricos"
(recomendação da OMS)
"Não é o lugar que eleva o homem. É o homem
que eleva o lugar".(Calderon).
O Mundo transforma-se vertiginosamente. Surgem a cada dia novas condições
de vida material, sanitária e econômica. Novas formas de educação e de convivência social.Novos -
tipos de relações familiares e de relações humanas. Novas exigências. Novas ou maiores dificulda -
des, ao lado, é certo, de mais conforto e de mais facilidade. Novos conflitos, ou melhor, maiores con-
flitos.E de tudo isso parece resultar que a Humanidade sofre de um desespero vago, padece de -
angústias mal definidas. Como se estivesse à procura de Fé, de Esperança, de Paz, de Harmonia,
de tranquailiade.Dos indivíduos com fraquezas constitucionais, os indivíduos mal preparados psico -
logicamente para enfrentarem a vida real descompensam. Desajustam-se. Desequilibram-se.Causam
transtornos sociais. Sofrem e fazem sofrer. Surge, então, uma nova sociologia das pertubações
mentais das neuroses e dos sofrimentos corporais de origem psicológica.A tomada de consciência da
saúde mental dos povos participa dos grandes problemas da evolução histórica da nossa época. A
situação mental da Humanidade é trágica.Requer cuidados e atenções especiais. E somos nós, Srs(os).e
Shs(as),os psiquiatras, os mais indicados a enfrentar esse problema. O problema número 1 de saúde Pú-
blica,no sentido de despertarmos o interesse pela Higiene Mental. De fazermos a Psiquiatria Preven -
tiva. De dinamizarmos a Psiquiatria curativa em todos os seus setores de praticarmos a reabilitação
do doente mental.Os progressos da Psiquiatria permitem afirmar que a função dos serviços de Saúde
Mental, hoje, não mais se restringe ao internamento dos doentes.Mas, sim, ao seu tratammmento e a
sua recuperação social.Será de maior eficiência,a meu ver, uma organização longitudinal harmoniosa:
ambulatórios, hospital, centros de recuperação, do que o desenvolvimento transversal, em que o país,
por exemplo, fique dotado de uma série de bons hospitaais ou clínicas psiquiátricas.A distribuição dos
leitos psiquiátricos deve, segundo opinião da Comissão Dinamarquesa, obedecer ao seguinte esque-
ma: 10 % em setores psiquiátricos de hospitais gerais 60 % em hospitais psiquiátricos e 30 % em cen-
tros de recuperaçãoa e colocaçãoa extra-familiar.Moaclay pensa que 50 % dos leitos dos hospitais psi-
quiátricos poderiam ser substituídos do seguinte modo : 10 % para melhoria dos serviços de consul -
tas externa e domiciliar;10a % para serviços de pós- cura; 5 % para seções psiquiátricas de hospi -
tais gerais; 25 % para serviços de recuperação e adptação para doentes de evolução prolongada.
Insisto em repetir que a orientação maoderna da Psiquiatria faz do hospital, não mais um asílo e,sim,
um centro de cura e de recuperação. Não mais basta confirnarmos os doentes mentais.Não mais bas-
ta apoiarmos os métodos de tratamento biológicos mais ativos.Torna-se necessário utilizarmo-nos de
toda vida social do hospital para a recuperação ae reintegração do doente. O hospital deve ser, como
dizia Esquirol, um instrumento de tratamento.E par que isso aconteça. Srs. e Sra.,é necessário a
a dedicação, o esforço, a noção do cumprimento do dever de cada um. Médicos. Enfermeiros.Funcionários
Servidores em geral. Do mais simples ao mais graduado.Sabemos que grande número de leitos é ocupa-
do por doentes crônicos. Em geral consideramos casos perdidos. E pouco ou nada fazemos por tais -
doentes. Solomon afirma,porém, que o tratamento dos doentes mentais crônicos continua a ser um dos
grandes deveres do psiquiatra. Enternar estes doentes em asilos ou em grandes hospitais, onde se acu-
mulam numa atmosfera de tristeza, desespero e deterioração, é um erro. Um erro grave. Pois somos
que muitos dos doentes que vivem asilados são suscetíveis, desde que existem serviços sociais psiquiá-
tricos, a serem adaptados à vida social.Sabemos também que nos rendes hospitais psiquiátricos estão
inernados doentes suscetíveis de viverem no exterior, desde que tratados adequadamente. Graças aos
modernos recursos terapêuticos recuperam-se de modo estável muitos doentes com 10, 15 , até 20 anos
de internação hospitalar, enquanto antes, a possibilidade de obter alta era uma para cem.Garrat estudou
a população dos hospitais psiquiátricos de Biringham e deduziu que: 12 % dos doentes não precisavam
estar hospitalizados e 40 % podiamaa ser tratados fora dos hospitais psiquiátricos.Backer, diretor do Hos-
pital de Banstead, afirma que os 2.450 doentes aí internados poderiam ser substituidos, com vantagem
por um hospital de 300 leitos, desde que existissem serviços de pós-cura do tipo dos albergues e oficinas
protegidas.
Buscamos a verdade com nossos doentes e nos não percamos com teorias ou escolas,
que podem retardar a evolução da Psicologia e da Psiquiatria, faço minhas as suas palavras. E porque sou
psiquiatra eclético, cientifico aos colegas deste serviço que estou disposto a cooperar com qualquer gru-
po ou escola psiquiátrica. Desde que seus componentes não fiquem em discussões estéreis. Desde que -
cumpram o seu dever de médico, procurando tratar a salvar, das trevas da doença mental, aqueles que
sofrem e que precisam de nossa ajuda.
A todos, jornalistas, sacerdotes, médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros,funcio-
nários, pessoas bem intencionadas de qualauer profissão ou classe social, faço um veemente apelo para
que, de mãos entrelaçadas, caminhemos interessados, séria e sinceramente, em buscaa de melhorar as
condições de vida deste ser complexo que é o homem. Nossa tarefa é grande.Vamos trabalhar, senhores,
trabalhar pelo nosso Brasil.Um ótimo final de semana para o senhor, e para a senhora, são os sinceros vo-
tos de Dalvino José Zeferino. " MACONHA,A ERVA MALDITA DO LIVRO DO Dr.Edmundo Maia INSTANTÂNEOS NA VIA DE UM PSIQUIATRA às fls.79/82. M A C O N H A A ERVA M A L D I T A
P/Dr.Psiquiatra Dr.Emundo Maia.
A porta de entrada e o primeiro degrau para a escalada da toximania ou
dependência geralmente a maconha. Por seu fácil comércio e por seu baixo cus-
to.A MACONHA, a " ERVA MALDITA ", o viciado passa às " bolinhas ".Daqui, para
as " PICADAS "é um pulo. depois, chega ao "ácido " (LSD). A seguir ao " PÒ "(cocaí-
na.Até chegar ao último degrau, a heroína.A MACONHA foi usada inicialmente para
fins indústriais na fabricação de fibras para corda. Para tal fim, o imperador chinês
Shen Nung,a cerca de 2.800 A.C, incentivava o cultivo do cânhamo " Tsing Ma",
que é a nossa maconha. Na India,Susruta, no ano de 1.000 A.C - referia-
se a ela sob o nome de "ganja ", a " ERVA DOS FAQUIRES". No século VIII A.C, na
Assíria, era conhecida sob o nome "Qunabu", provável origem da palavra "Cannabis".
No oriente Médio, chamava-se " hashish ". Esta, na realidade, é uma mistura de
maconha fervida com manteiga ( de camelo) e temperada com mel, noz - mosacada
e pistache.Devido sua alta concentração de resina, é cinco a seis vezes mais forte
que a MACONHA comum . Os árabes fumam-na no cachimbo especial chamada "NAR-
GHILLÉ".No Brasil deu entrada em 1549, trazida pelos escravos negros. Chama -
vam-na " FUMO DE ANGOLA ". Depois recebeu outros nomes: " PANGO ","RIAMBA",
"diamba", "liamba", "aliamba", " umabuaru ", " gererê," "birro"," dirijo","atchi","fumo-
bravo",erva-do-diabo" e outros.Em 1800, invadiu a Europa. Na Rússia, usavam-na ,
sob a forma de rapé, com o nome de " anaschá".Na Iatália, chamavaa-se " canapa".
Na Espanha, "cânhamo".Na França, " chanvre".Na Bélgica, "Kemp". Na Polônia,"Konopj".
Em outros países, sempe com nomes diferentes. O poder toxígeno da MACONHA de -
pende do terreno em que cresce. E, das partes da planta que entram na mistura da
droga. A planta feminina é mais alta e mais alta e mais tóxica que a masculina. Os
traficantes costumam adulterar a maconha, para obterem maiores lucros, associando
erva-macaé, chá, oréga no, malva e outras plantas. Até capim. A fumaça de MACON-
HA cheira a alfafa ou mato verde queimando. acom a adição de mel de abelha,para dis-
farçar o cheiro característico, a substância adquire odor similar ao do estragado.O -
principal ingrediente ativo da maconha é o ácido tetrahidrocanabinol, ou ATHC, desco-
berto em 1940 e sintetizado em 1964, por Garone e Mechoulan.A maior ou menor efi -
cácia da maconha depende do teor do THC. Os viaciados usam, além dos " baseados "
(1,70 g) e dos " fububgis" ( 1.00g), outras embalagens, como " trouxinhas", " morrões",
"dolares, " bombas", mutucas",. Em Cuba, há preferência para " chicharra", cigarro típico,
uso coletivo. Nos Estados Unidos, surgem agora os pequenos e sofisticados " marihuana
pipes".Os "BASEADOS",e " FININHOS"são adquiridos pelo próprio " viciado".Ou comprados
ao " VAPOR "pequeno traficante que " TRANZA", para manter o próprio vício. Os VAPO -
RES, ligam-se aos grandes traficantes das " bocas - de - fumo ".Estas estão ligadas ao
"PAIÓIS" ou armazéns.Que são abastecidos pelo matuto. O matuto traz erva do Nordes-
te, em maias de viagem, nos pneus de caminhões, nos tambores de gasolina.Isso sob o
patrocinio do " MAGNATA ".QUE É DESCONHECIDO PELA MAIORIA DA " GANG".E que
sem correr riscos diretos, obtém os maiores alucros do crime.Há ainda os abastecedores
autonomos, que trabalham ao lado de verdadeiras organizações criminosas.Os maconhei-
ros tendem a reunir-se em grupos, formando por vees verdadeiras comunidades, ou
"gang".Que seguem as ordens de um líder, o cabeça-feita".Geralmente psicopata ou um
paranóide.Os efeitos decorrentes do uso da maconha dependem da quantidade absorvi-
da das circunstãncias em que foi usada, da sensailidade e do caráter do viciado, enfim da
estrutura bio - psico-física do indivíduo.Os efeitos maléficos da MAONHA, sobre o Sistema
Nervoso Central e o Sistema Neuro - Vegetativo manifestam-se 20 a 30 minutos após seu
uso. De início, sobretudo nos principiantes, podem ocorrer náuseas,a vômitos, vertigens,
tonturas. E palidez, seguida de ruborização da pele.A seguir, o usuário mostra um "FACIES"
característico - expressão de cinismo,blefaroptose que causa estreitamento da fenda pal-
pebral ( " olhar de mormaço",congestão ocular( olhos avermelhados), epífora(lacriameja-
mento) e midriáse (dilatação da pupila, da " menina dos olhos").A palavra passa a ser arras-
tada.A mucosa bucal torna-se ressequida. A saliva, espessa e escassa; daí o maconhado não
consegue cuspir.Torna-se também ansioso.Angustiado , com fobias.Rosto e mãos suadas.
Respiração lenta e superficiial. Batimentos cárdíacos aumentados. Pressão sanguínea alterada.
Diminuição da coordenação dos movimentos ( ataxia). Pode sentir-se leve ou ter a senasação
de estar plainando, ao locomover-se. Pode apresentar vivência do tempo alterada (lenta).La-
bilidade de humor; risos imotivados podem converte-se em choro convulsivo.Comportamento
nessa fase, francamente irritável, confuso, paranóide, desconfiado, " grilado ".A partir dos 30
ou 40 minutos, o maconhado passa apresentar sensações de euforia ( ou de tristeza). Rela-
xamento muscular; falso bem - estar. Volubilidade verbal. Vivacidade mental. Criatividade au-
mentada, mas distorcida. E extravagante, ao lado de uma perda e autocritica. Juízo moral
deterioarado. Inibições diminuídas ou ausentes. Auto - suficiência hipertrofiada. Reações
emocionais sem controle. De feitos do caráter acentuados, impúlsos instintivos negativos li-
vres,soltos,libido diminuida, não obstante surja, de inicio, um aumento duvidoso, e passagei-
ro, das sensações sexuais.Ao cabo de 90 minutos , o MACONHADO mergulha num estado de
embriaguez. Passa então a ter ilusões, ou pseudo-alucinações características,com a realização
falsa de esperanças fomentadas. No auge da " onda", o paciente,em transe, vive sua própria
imaginação.O pensamento parece-lhe um sonho.Facina-se por determinado tema, que repete.
Como, por exemplo, uma melodia.Depois, pode adormecer. Ou entrar em pânico. e tornar-se violento.
até agressivo. Este êxtase prolonga-se por 3 a 12 horas. Ao despertar, o individuo pode lem-
brar-se de tudo o que se ocorreu.Depende do estado oniróide. Ou tambem se não recordar
de nada. Neste caso, deve ter tido uma ausência, provavelmente por ser portador de elemen-
tos da linha epilética.O uso prolongado, crônico da MACONHA, produz efeitos constatados à
distância. " FACIES", aparvalhado. Pele pálida, acinzentada. Emagrecimento.Inflamação das
mucosas.Perda da iniciativa. Passividade. Dimuiação da capacidade de concentração. Lentidão na
associação de idéias rouqudão. Embotamento dos valores éticos. Impotência sexual.Nos predispo-
tos, podem desencadear-se sustos psicóticos ou manifestar-se convulsões epileptiformes.É
contra-argumentar, com firmeza, frente áqueles ( MACONHEIROS OU TRAFICANTES GERA LMENTE)
que defendem o uso livre da maconha, a erva maldita. A porta de entrada e o primeiro degrau
para a escalada da dependência ou toxicomania, o que torna mais ameaçadora para o bem públi-
co. Um ótimo final de semana para o senhor , e para a senhora, é o que deseja Dalvino José Ze-
ferino.
10月28日 "ALCOOL - ESSE FLAGELO SOCIAL "- DO ESCRITOR EDMUNDO MAIA ÀS FLS 83/88-DO LIVRO INSTANTÂNEOS (NA VIDA DE UM PSIQUIATRA). ÁLCOOL ESSE FLAGELO SOCIAL
O Álcool,cujo termo vem do árabe - AL - KOHOL quer dizer o sutil. É conhecido
desde os tempos mais remotos.Segundo os alquimistas árabes, o álcool era produto es-
pirituoso e inflamável da destilação do vinho, que é o licor obtido pela fermentação da
uva.Hoje, porém, prepara-se o álcool também pela fermentação de outros vegetais ,
como beterraba, milho, arroz, cana-de-açúcar(donde a conhecida " PINGA", ou CACHAÇA,
brasileira,laranja,caju, mandioca(da qual se faz a aguardente chamada " CAXIRI", dos
índios do Brasil e se pretende fazer álcool-combustível, em substituição ao petróleo).
Há vários modos de o indivíduo alcoolizar-se. Um deles é beber continuadamente.
Ao cabo de algum tempo, a vítima mergulhará no legítimo " estado alcoólico". Outros be-
bem por fasaes cíclicas, por surtos períódicos, nas quais se vêm impulsionados a beber -
sem controle, sem poder parar, após o primeiro gole. Estes constituem os casos graves
de DIPSOMANIA.Tanto uns como outros, dentro de algum tempo variável, para cada pes-
soa, apresentarão grave impregnação tóxica no cérebro e nos demais órgãos. Como fíga-
do, estômago, coração, baço, rins, sistema nervoso.Segundo uma lenda.Noé(ou Adão),
teria sido o primeiro homem a plantar a vinha. A lenda conta que o Diabo irrigou a videi-
ra com sangue de 3 animais: o macaco, o leão e o porco,que simbolizam as fases do alco-
olismo agudo. Na fase do macaco (1ª ), a pessoa fica irriquieta, buliçosa, desinibida.Seria
o período " social", das reuniões sociais. Torna-se loquaz. Relata até segredos íntimos.Daí
a expressão" ain vino veritas".às vezes, após esse período inicial, o embriagado apresenta-
se calado, deprimido, taciturno, sonolento. Na fase do leão (2 ª), torna-se violento, impúl-
sivo e agressivo, oferecendo perigo aos circunstantes. Pode até cometer crimes de gravi -
dades.Na última fase , a do porco (3ª),o "BEBUM"a, perde a compustura, baba , lambuza-se,
fica sórdido,cai em sono profundo.O alcoolismo manifesta-se sob diversas formas clínicas.
Ei-las, numa síntese informativa.
EMBRIAGUEZ PATOLÓGIA - após a ingestão de pequena quantidade de qualquer be-
bida alcoólica, a pessoa entra nun estado de ofuscação mental e libera sua impulsividade e
agressividade, praticando atos anti-sociais, passada esta crise,geralmente o paciente de
nada se recorda. Ou se lembrará vaga e fragmentariamente do que lhe aconteceu.
ALUCINOSE ALCOÓLICA - O alcoólatra, neste estado, "ouve " vozes imaginárias, que
ofendem, " vê " imagens que o perseguem e tentam matá-lo, " sente", bichos correrem sobre
sua pele...
DELÍRIO ALCOOLICO DE CIÚME - O alcoolista enfraquecido sexualmente, sente-se traí-
do pela esposa e vive cismado, desconfiado, interpretando mal os fatos, na expectativa de fra-
gar adultério...
DELIRIUM TREMENS - É o estado de muita gravidade 20% destes casos chegam à morte.
O paciente apresenta remores e suores abundantes. Torna-se confuso. Desorientado.Delirante .
Alucinado. Vê e ouve coisas fantásticas e horripilantes, que o angustiam e o aterrorizam
como animais (zoopsias) em tamanho reduzido (micropsias).
DIPOSOMANIA -Ocorre naquelas pessoas que passam dias, semanas ou meses sem be -
ber.Mas qando bebem, o fazem comapulsivamente. Numa espécie de sede insaciável, de fúria.
Beben dias seguidos sem conseguirem parar. Alimentando-se mal. Dormindo pouco. Enfraque-
cendo.Muitas vezes, há necessidade de interná-los para evitar complicações maiores,como o DE-
LIRIUMA TREMENS, o coma alcoólico a morte.
EPLEPSIA ALCOÓLICA-O álcool exerce ação tóxica irritativa sobre as células cerebrais
desorganizando o rítimo de suas atividades elétricas e favorecendo o desencadeamento de crises
convulsivas epiletiformes ou epiléticas.
PALINERVRITE ALCOÓLICA- O álcool, na sua ação nefasta e destruidora pelo organísmo
do beberrão, provoca, com o tempo, a inflamação extensa dos nervos, produzindo paralisias sobre-
tudo dos membros inferiores, levando o indivíduo à invalidez precoce.
NEURITE ÓTICA - Se a inflamação atingir os nervos óticos, o alcoolista chegará à aceguei -
ra completa.
DEMÊNCIA ALOÓLICA- Nos estágios finais do alcoolismo, manifesta-se a perda da dignida-
de, o desrespeito à moral, a ausência do senso crítico, o rebaixamento da inteligência, a deterioração
da personalidade.
Sem dúvidas alguma, o álcool é tóxico dos mais perigosos. Vimos suas formas clínicas na
área neuro-psiquiátrica .Agora, completarei a informação, fazeno referênciasa ao órgão mais afeta-
do, nos alcoolistas o fígado.
O álcool,a chegando ao fáigado, é atacado por enzimas que libertam dele o hidrogênio e assim
produzem o acetaldeído que, por sua vez, é decomposto, dando ácido acético e, finalmente, bióxido de
carbono e água. O excesso de hidrogênio interfere nos ciclos metabólicos normais,produzindo lactato,
em lugar de glicose. O alcoolico que bebe muito e come pouco,não recebe os hidratos de carbono que
o corpo necessita. Disso resultará baixo teor de glicose no sangue a hipoglicemia comum nos pacien-
tes atendidos nos hospitais.Essa hipoglicemia pode causar uma série de perturbações, inclusive cerebrais,
que explica muitos casos de morte.O problema do alcoolismo é médico - social. E não policial. O alcoolismo
deve ser considerado como doença. as causas do alcoolísmo estão radicadas, como foi dito, em fatores de
ordem biologica, psicológica ou social, geralmente entrelaçados e não isolados. Cuidarmos só de atender
ao alcoólatra, dando-lhe assistência e tratamento, é alguma coisa, sem dúvida. Mas é pouco, ser refletir-
mos que o mais importante e válido seria levantarmos a bandeira da campanha de prevenção ao alco-
olismo. Campanha permanente, atingindo todas as classes sociais e alertando mais a juventude para seus
maleficios. O Dr.Edmundo Maia é psiquiátrico(médico) nasceu em 21 de março de 1920. Diplomou-se em 1943,
na Faculdade Nacional de Mediicina Praia Vermelha no Rio de Janeiro.Um feliz final de semana para o sen-
hor e para a Senhora, é o que deseja Dalvino José Zeferino.
10月14日 " AMARRADO AO DIVÃ " POR DALVINO JOSÉ ZEFERINO AMARRADO AO DIVÃ ( POR DALVINO)
Logo em sua primeira sessão de análise um militar que transborda arrogância apresenta
uma demanda ao doutor Paul Weston ( Gabriel Byrne); como ele é o cliente ali, espera que a con -
sulta siga aos rumos que gostaria. Ai que o psicoterapeuta observa: " Nesse negócio, infelismente
o cliente nunca tem razão". Nem o próprio Weston, frize-se, tem imunidade. É o que se verifica na
série EM TERAPIA, ao terapeuta que entra como sujeito, empático, compreensivo, modelo para o
paciente, a psianálise de orientaçãoa lacaniana opõe-se o psicanalista como presença libidinal, vivo
que dança conforme a música; pertubador, para os pacientes alojados demais em seu sintoma,apa-
ziguador, para os pertuarbados demais,estressados, para os desorganizados,etc. com cada pacien-
te, o psicanalista terá que encontrar o tom que convém e deixar-se usar como semblante de objeto,
com o qual o sujeito - sintoma faz sua parceria.A esse respeito,temos um exemplo interessante do
que Lacam chama, TRANSFERÊNCIA,de uma ação do analista, indicado ao nível de uma "ANÁ-
LISE DE TRANSFERÊNCIA".Num dos raros momentos em que fala de seus pacientes,Lacan men-
ciona uma paciente que toma todas as suas liberdade na sua vida conjugal e que soube manter -
no seio de sua família, um campo de forças centrado estritamente sobre suas exigências libidinais.
Lacan é colocado, pela paciente, no lugar do seu ideal do "EU",na medida em que ele é o ponto ide-
al em que a ordem se mantém, para que toda a sua desordem possa acontecer. Lacan não deve,em
hipótese alguma, para esta mulher, passar por um imoralista. É aqui que o analista tem sua pala-
vra a dizer, mantendo aberto um abismo por baixo das certez as dela.Neste texto pretendo cercar as
condições e os princípios que propiciam uma análise ordenada em direção ao real sintoma, a parte -
da análise torna-se dificil; de tratar, de ceder, sua parte do gozo,e que toma no sujeito forma de re-
petição, parte do sintoma na qual a palavra não tem efeito o ato analítico sendo o que pode tocá -
lo de alguma maneira.O tema deste texto,me sugeriu um trabalho onde pudesse abordar a dissime-
tria própria à natureza humana como um instrumento a ser utilizado pelo dispositivo análitico.À per-
cepção da falta de paridade nas circunstâncias da vida de uma paciente, após uma experiência trau-
mática, lhe serviu de porta de entrada para a experiência análitica,acionando a disparidade subjeti-
va ao trabalho de TRANSFERÊNCIA; parece que o Dr.Paul Weston em analizá-la teve a ética de não
ceder aos encantos dessa CONTRA -TRANSFERÊNCIA, a paciente analizada ai,cedeu aos encantos do
analista, mais que a análise continua.Freud chamava essa analise muito bem de CONTRA-TRANSFE-
RÊNCIA>.Um ótimo final de semana para o senhor, e para a senhora, Dalvino José Zeferino. 10月8日 " O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ " AUT.STEPHEN HAWKING- DO LIVRO STEPHEN HAWKING _ " O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ "
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Em 1988,quando Uma breve história do tempo foi originalmente publicado, a definitiva
Teoria de Tudo parecia despontar no horizonte. Como a situação mudou desde então ?.Es -
tamos mais perto de nossa meta ?. Como será descrito neste livro, avançamos muito desde
então.Mas a viagem continua, e o final ainda não está à vista. Segundo o velho ditado, é
melhor viajar com esperança do que chegar. Nossa busca de descobertas alimenta nossa cria-
tividade em todos os campos, não apenas na ciência. Se chegásasemos ao fim da linha,o espí-
rito humano definharia e morreria. Mas não creio que um dia sossegaremos,aumentaremos
em complexidade, se não em profundidade, e seremos sempre o centro de um horizonte de
possibilidades em expansão. Quero compartilhar meu entusiasmo pelas descobertas que vêm
sendo feitas e pelo quadro da realidade que está emergindo. Concentrei-me em áreas nas --
quais trabalhei pessoalmente para que houvesse umaa maior sensação de proximidade. Os de-
talhes do trabalho são muito técnicos, mas acredito que as ideias gerais possam ser transmiti -
das sem muito bagagem matemática. Só espero que tenha conseguido. Segundo Stephen,rece-
beu muita ajuda para a elaboração deste livro.Stephen Hawking.Um ótimo final de semana pa-
ra o senhor e para a senhora, Dalvino José Zeferino. 10月7日 " OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO " AUT. ERICO VERISIMO. CRÔNICA HISTÓRICA
É muito difícil imaginar o impacto do processo deflagrado ou acelerado
na vida brasileira Revolução de 30 - acontecimento que está no pano de fun-
do de "OLHAI OS LIRIOS DO CAMPO", sem pensar na vida cotidiana e na paisa-
gem em que viviam as pessoas então.Lemos muitas vezes: "A Revolução de 30 é
responsável pela criação do Brasil moderno",ou " A partir do 30 e depois do Es-
tado Novo começa de fato a industrialização do país".Encontramos interpreta-
ções polêmicas sobre a Revoução de 30 e o regime que ela inaugurou, ora cha-
mado de " modernizador", ora de " ditadura". Porém tudo isso fica abstrato se
não atentarmos para as modificações ocorridas na vida do cidadão comum.
Cmecemos por um esfôrço imaginativo: como seria a vida antes do caminho
que a Revolução inaugurou, os sinalizou ? Era muito diferente ?.Era. Algumas
coisas podemos dizer e até imaginar com facilidade: um mundo sem computado-
res ( o reino da pequena tela começa no Brasil lá pelos anos 80),sem televisão, o
rádio era novidade, o cinema falado também, o automóvel um luxo.. O que mais?.
Da sala (reino da TV) ou do escritório (principado do computador),passemos
à cozinha. Imaginemos um mundo sem Bombril, sem detergente, sòmente com
fogão a lenha(que serviam inclusive para esquentar água para o banho),sem pane-
las de alumínio e, na maioria das casas, sem geladeira .Apenas as famílias mais abo-
nadas dispunham de frigorífico doméstico .Esse frigorífico tinha dois compartimen-
tos: no de cima punha-se uma grande barra de gelo e no de baixo a carne e o -
leite se houvesse. Na falta desse notável avanço tecnológico, a solução era consu-
mir charque ou carne - de - sol, que dispensam refrigeração. O leite era entregue de
porta em porta pelos leiteiros, que às vezes vinham de autênticas zonas rurais mui-
to próximas, ou encravada nas cidades.Também de casa em casa entregava-se a -
lenha para o fogão, comprada em " talhas", um feixe de achas amarradas que preci-
savam ser partidas em vários pedaços para caber no fogão. Depois das refeições, as
mulheres pasasavam horas areando, coma areia ou pó de tijolo, as panelas de ferro
para tirar-lhe a tisna. Depois de arear as panelas, iam para o tanque lavar roupa. As
peças brancas, depois de ensaboadas, eram estendidas ao sol para quarar, prática
hoje substituída pelo uso de alvejante.Para passar roupa só havia ferro a carvão.Pa-
ra alisar as calças, antes de dormir os homens as ajeitavam entre o colchão e estrado
da cama.As famílias mais ricas costumavam contratar lavadeiras e passadeiras.Não
raro, as mulheres lavavam roupa nos rios próximos às cidades (como o Guaiba,de
Porto Alegre de Erico) ou mesmo nos riachos que as atravessavam. Muitas dessas pra-
ticas subsistiram até meados do século XX e ainda podem ser encontradas em locais
isolados, mas naquele período eram dominantes até nos centros metropolitanos.No
escriório, não havia canetas esferográfias; a caneta -tinteiro, por ser novidade, era um
objeto sofisticado. Quem a usava era "rico"e "moderno".Na escola, as crianças usavam
tinteiros portáteis para molhar a caneta de pena de ferro ou aço (esta, caríssima, era -
muito mais durável, pois de tão ácida, a tinta corroía as de ferro). As carteiras escolares
tinham orifícios circulares a um canto para receberem os tinteiros sem risco de derra-
mamento de tinta.A noite, sem mais o que fazer, as pessoas tinham o hábito de escre -
ver cartas. E como !. Muitas vezes escreviam todas as noites, e várias cartas por noite.
Telefone era coisa de rico, o correio aéreo mal começara, as cartas demoravam uma
semana, quinze dias ou mesmo um mês para chegar, se vinham do exterior pois viaja-
va de trem ou navio. A maioria das pessoas, contudo, era analfabeta ou mal conhecia as primeiras le -
tras.Tudo era muito precário: no país não havia universidade nem indústria pesada.Existiam faculda-
des de engenharia, direito e medicina; a indústriaa era pouca, leve, e frequentamente
quase artesanal. A maioria das empresas era familiar. Os brinquedos eram importa -
dos ou improvisados pelas crianças com muita criatividade. E o mundo do trabalho ?.
Nas poucas fábricas existentes, o trabalho era duríssimo. Jornadas de dez, doze e até
quinze horas diárias era até as oito da noite. Não havia salário mínimo, previdência
social, férias ou descanso remunerado. Os patrões, na cidade e no campo, chamavam
-se orgulhosamente de " classe conservadoras". Para apasiguar os ânimos temores,al-
guns manifestos apresentaram a própria Revolução de 30 como " conservadora".....
"Revolução conservadora" !.Só no Brasil, dirá alguém mais irônico. E hoje em dia nin-
guém mais quer ser " conservador". Nas ruas, ainda era possível encontrar negros nas-
cido escravos, bem como velhinhos veteranos da Guerra do Paraguai e do Rio Grande
do Sul das muitas revoluções. Dos cem anos do século XIX, o estado passara quase cin -
quenta mobilizado para alguma guerra, e os outros cinquenta chorando ou lembrando
os mortos.No comércio ou nas repartições públicas, a situação era mais amenas,embora
não houvesse nenhum tipo de segurança no emprego.Ai do funcionário público que vol-
tasse contra o governo. Perdia o emprego no dia seguinte, e não fatava que substituísse.
Em Solo de clarineta, seu livro de memóriasa, o próprio Erico confessa que em 1930,ao
se mudar de Cruz Alta, sua cidade natal, para Porto Alegre, preferia não se tornar fun-
cionário público.Diz ele: " Associava essa condição à necessidade de votar sempre submis-
samente, com o governo."Como isso era possível ?E que o voto não era secreto.Nas
eleições, o cidadão ia até uma junta eleitoral e la assinava a lista de seu candidado "pre-
ferido". Capangas truculentos , no Sul, alguns até com armas debaixo dos ponchos vi-
giavam a eleição. E os eleitores!.O voto secreto só foi instituído no Brasil pela Constitui -
ção de 1934, que também instaurou em todo o território nacional o voto das mulheres.
Antes só os homens votavam.Na eleição de 1932, depois da revolução, em alguns esta -
dos as mulheres votaram mas só as casadas. Ainda que o Brasil fosse uma república,po-
lítica decididamente não era coisa para o povo.Os candidatos à presidência da República
por exemplo, apresentavam suas plataformas em reuniões fechadas, com os partidários,
autoridades( se fossem do governo), jornalistas e gente importante. Podiam sair festiva -
mente às rua, ou mesmo dirigir-se a partidários da sacada de um hotel, mas comícios po-
liticos eram coisa para a plebe ou para arruaceiros. Essa foi uma das grandes inovações
da candidatura de Getúlio Vargas em 1929: prenunciando um futuro de líder autoritário
e populista de massa, o primeiro ato de sua canpanha foi um comício na Esplanada do
Castelo , no Rio de Janeiro a céu aberto. Apesar da enorme popularidade, foi derrotado
pelo paulista Júlio Preste, que, rompendo a tradicional política do " café-com leite"a,
perdeu o apoio dos mineiros. Em meio a acusações de fraude eleitoral por todo país,a re-
volução tornou-se inevitável, e a foto dos cavalos amarrados pelos milicianos gaúchos --
no obelisco em frente ao Senado Federal, no Rio de Janeiro, tornoua-se o simbolo de uma
nova era. Misturam-se nela ícones do Brasil predominantemente rural, que declinava (os
cavalos amarrados), e os da nova urbanidade nascente( a capital federal e a própria foto-
grafia).Esse mundo que e a Revolução de 30 abalou, pelas raízes era precário e conserva -
dor, mas estável, apesar das contínuas revoltas populares e militares, como a Guerara de
Canudos, a do contestado e a Coluna Preste.As oligarquias que sobre ele reinavam man-
tiveram-se no poder durante quase um século. Sobreviveram ao fim da escravidão, à que-
da do Império e a suessivas crises econômicas, inclusive à de 1929.Esse Brasil estava pre-
parado para as rápidas mudanças que os novos tempos anunciavam ou ele; e suas persona-
gens, por vezes de horiontes tão estreitos, não teriam como ingessar na nova época, com
as divisões drásticas entre direita e esquerda, fascista e comunistas a se espraiarem pelo
inteiro ?. Questões dessa natureza ajudam a discernir riqueza de significaos da sófrega --
ambição de Eugênio ou da dolorosa serenidade com que Olivia enfrenta a morte. No ---
crespúsculo de uma paisagem que se esfuma, o escritor arguto vislumbra com inquieta -
ção a outra que emerge. Um ótimo inicio de semana para o senhor e para a senhora, Dal-
vino José Zeferino.
10月6日 E S C A L Õ E S / LUIZ FERNANDO VERISSÍMO DO LIVRO ÀS FLS.32/35 E S C A L Õ E S
(DE : LUIZ FERNANDO VERISSÍMO )
- Sabe quem está muito cotado para fazer parte do govêrno?
- Conta.
- O marido da Alba.
- Que Alba?
- Aquela baixinha você conheceu no cabeleleiro.
- Tenho uma vaga lembrança...
- Uma que pinta o cabelo de cobre. Fala muito barra porque ouviu na novela.
- Acho que sei quem é. Que horror.
- Pois é. Vai para Brasília.
- O marido é militar, é ?
- Não, não. Área econômica. Parece coisa importante.
- Preciso investigar.
- Alô!
- Alô, Albinha ?. Aqui quem fala é Vivian Malheiros de Lima e Lima.Nos conhe-
cemos no ca...
- Mas claro !.Como vai?.
- Muito bem. E você?. Já fazendo as malas ?.
- Nem me fala. Uma barra.
- Os amigos podem saber para que posto vai o... o...
- O Jorge Auagusto ?. Olha, Vivian, a coisa ainda é meio secreta. O Jorge Au-
gusto não fala muito no assunto, em casa. Só sei que é coisa certa.
- Está me cheirando a primeiro escalão
- A que ?.
- Ministério, Albinha.E o Jorge Augusto merece.
- Não sei. Vai ser uma barra...
- O que é isso, querida ?.Precisamos comemorar. Vocês estão livre na sexta ?.
- Sexta-feira ?. Bem...
- Quero oferecer um jantarzinho para vocês,meu bem. Meu marido, de tanto
me ouvir falar em vocês, está louco para conhecer o João Augusto.
- Jorge Augusto. Olha, acho que vai dar. Mas depois da novela, hein?.
- Nove e meia, está bem ?.Só nós e mais uns três ou quatro casais.
- Ótimo, Vivian.
- As minhas amigas me chamam de Vica.
- Ótimo,Vica!.
- Jorge Augusto Souza Santos ?.Nunca ouvi falar.
- Ou Santos Souza . Por ai.
- Tem certeza de que é primeiro escalão?.
- Coisa certa.
- Estranho...
- Alô, Vica ?.É a Alba.
- Oí. Albinha !.
- Estou telefonando por uma bobagem, mas é que eu sou meio chata nessas
coisas, sabe como é?. O jantar na sua casa,é com que traje?.
- Esportivo, Albinha, esportivíssimo. Coisa bem informal. É só para os nossos
maridos se conhecerem melhor. Venham como quiserem.
- Então está bom, Vica.
- Alguma novidade sobre o posto do Jorge, Albinha?.
- Ah!.Parece que não é primeiro não
- Primeiro o quê ?.
- Escalão.
- Mmmm.
- Segundo escalão é até melhor.Mais estável. O tráfego de influência é maior.
- Espero que você reconheça o que estou fazendo por você,Antônio.Ter que -
aguentar a tal de Alba...Aposto que ela vem ao meu jantar de tafetá.
- Alô, Vica ?.
- Sim , Alba.
- Sobre o jantar de amanhã, outra vez O Jorge Augusto queria levar alguma
coisa.Quem sabe um vinho...
- Não precisa nada. alba . A bebida está incluida no preço.
- Essa é boa. Vica. Você, hein ?. Uma barra
- Alguma notícia de Brasíliaa, Alba?.
- Bom, já sabemos que segundo escalão não é.
- Terceiro ?.
- Tem alguma coisa abaixo de terceiro, Vica?.
- Tem, mas ai já é subsolo, Alba.
- Parece que e quarto escalão.
- Já sei. O cara vai ser continuo. Você e as suas amizades, Vica.
- Minhas amizades não senhor. Nem conheço a peça. E agora ?.O jantar está
marcado.
- Problema seu.
- Alô , Sra. Alba Santos Souza?.
- Souza Santos.Sim, sou eu
- Aqui é da parte de Vivian Malheiros de Lima e Lima.A senhora Lima e Lima
lamenta, mas não poderá receber para jantar hoje, como estava combinado.
- Por quê ? . Algum problema ?.
- Hepatite.
Um ótimo inicio de semana para o senhor e para a senhora, Dalvino
José Zeferino.
10月5日 SARÇA ARDENTE - ELOGIOS FEITO A NÉLIDA PIÑON POR MACHADO DE ASSIS ÁS FLS123/141 SARÇA ARDENTE
" A PALAVRA FOI SEMPRE UMA REFORMA "
( MACHADO DE ASSIS )
A TEMPORALIDADE DE UMA OBRA LITERÁRIA DEVE SER DEMARCADA NO
MOMENTO INAUGURADOR DA SUA LEITURA.OCUPAR UM TEXTO COM
UMA RESERVA DE CONCEITOS É RECUSAR A MATÉRIA DE SUA CRIAÇÃO E
NEGAR A REVELAÇÃO DO SEU ENÍGMA. É PREVÊ-LO.POR OUTRO LADO, UMA
LEITURA APENAS COMPROMETIDA COM A RIGIDEZ E A OPACIDADE DO TEX-
TO EM SUA EXTERIORIDADE RESTRINGE A PERCEPÇÃO DE SUA DINÂMICA E
NÃO CHEGA A DESVELAR O CORPO DA NARRATIVA. É PRECISO DESIFRAR O QUE
NÃO SE MOSTRA NA SUPERFÍCIE DA LETRA, EM SUA APARÊNCIA, MAS NO QUE
O ESCRITOR INSCREVE COM A SUA PALAVRA E O SEU CORPO NO ARGUMENTO
DA HISTÓRIA. A OBRA DE NÉLIDA PIÑON EXIGE DO LEITOR QUE SE EMBREN-
HE NA SUA INTRIGA PARA PERDER-SE NO MISTÉRIO DA PRÓPRIA CRIAÇÃO, -
POIS SEU TEXTO É CRIVADO DE REFERÊNCIAS AO MOVIMENTO DA GÊNESE POÉ-
TICA.SUA NARRATIVA INAUGURA ASSUNTOS PARA FUNDAR O TEMA DA IN -
VENÇÃO, ORGANIZANDO A LAINGUAGEM PARA CRIAR UM CORPO QUE SOBRE-
VIA NO TEMPO AE OCUPE UM LUGAR NA MEMÓRIA. SIGNO DE UM CONHECIMEN-
TO QUE SE PERFAZ NO RESGATE DA ORIGEM, A PALAVRA TRAÇA UMA VIAGEM NO
ENREDO DA SUA FICÇÃO, CONFUNDINDO O REAL COM O IMAGINÁRIO,NA TARE-
FA DE CRIAR UMA POÉTICA QUE ATUALIZE A TENSÃO QUE INDAGA A SUA PRÓ -
PRIA ORIGINALIDADE. O SENTIDO DA CRIAÇÃO É SONDAR ESSA IDEIA INICIAL,
FAZER DA LINGUAGEM UM CORPO EM TRANSPARÊNCIA. LINGUAGEM COMO --
FORMA SAGRADA DA RELAÇÃO COM O MUNDO. O MOTIVO DESENCADEADOR
DA LINGUAGEM, NO DISCURSO DE NÉLIDA PIÑON, FUNDA-SE NA NESSIDADE
DE DESVENDAR O REAL E APROPIAR-SE DAS SUAS QUALIDADE PARA DEFINÍ-LAS.
SUA NARRATIVA INTEGRA O SIGNO Á SUA ESSENCIALIDADE, RECARREGANDO-O
COM TODOS OS VESTÍGIOS DA SUA ANCESTRALIDADE,E, AO MESMO TEMPO,LI-
VRANDO-O DA SUA INOCÊNCIA PELA PAIXÃO DE SE FAZER Á IMAGEM E SEMELHAN-
ÇA DO PRINCÍPIO CRIADOR.A TRANSCEDÊNCIA DO CORPO PELO SACRIFÍCIO O
TORNA MEDIADOR ENTRE O REAL A SE FAZER E O MUNDO EXISTENTE, CONSAGRA-
DO Á VIDA. O PRINCÍPIO GERADOR CONFUNDE O SER HUMANAO COM A SUA CRI-
AÇÃO É TROCA DE SUBSTÂNCIA. VIDA SIGNIFICATIVA A SE FUNDIR NA LINGUAGEM
TRANSUSTÂNCIA . AO CORPO É UM EMBLEMA, SE AJUSTA AO PAPEL DE UM SIGNI-
FICADO, PERSONA, ROSTO DA PAIXÃO QUE DRAMATIZA SUA MORTALIDADE PARA
DESEJAR A ETERNIDADE ATRAVÉS DA CRIAÇÃO. A CRIAÇÃO É O DESTINO, A SALVA-
ÇÃO.O SER HUMANO ESTÁ DE PASSAGEM PELA TERRA, SOFRENDO O EXÍLIO DA -
CARNE, POR ISSO SEUS PERSONAGENS SÃO CONVOCADOS PARA ORGANIZAREM A
NARRATIVA DESSA PAIXÃO CRIADORA, QUE O PROJETA PARA ALÉM DA PRÓPRIA -
VIDA;VENCENDO OS LIMITES DO CORPO ELES VENCEM OS LIMITES DA MORTE, POIS
O CORPO É O ÚNICO LIMITE DA MORTE. PENSE NISSO, UM ÓTIMO INICIO DE SEMANA
PARA O SENHOR E PARA A SENHORA. DALVINO JOSÉ ZEFERINO. 10月1日 VIVA O POVO BRASIEIRO AUTOR JOÃO UBALDO RIBEIRO `AS FLS.595/596 O AUTOR E SUA OBRA
Baiano da ilha de Itaparica, onde nasceu a 23 de janeiro de 1941,João Ubaldo
Ribeiro foi criado em Sergipe. A Bahia ele voltou para estudar, formando-se em direi-
to em Salvador Escreveu desde os tempos de estudante, e seus primeiros trabalhos -
literários foram publicados em diversas coletâneas (" Reunião", "Histórias da Bahia" .
"Panorama do conto baiano".Em 1962, concluiu seu primeiro romance que intitu - -
lou "Semana Pátria". Mas o editor não aceitou esse título e, seis anos depois, publi-
cou-o como " Setembro não tem sentido".Nos anos 60, João Ubaldo lecionou ciência -
política na Universidade Federal da Bahia,depois de especializar nos Estados Uni -
dos.Dessa atividade resultou o ensaio " Política ",publicado em 1981.Ao mesmo tem-
po, o escritor dedicava-se intensamente ao jornalísmo, ocupando o cargo de editor- -
geral do " Tribuna da Bahia ".Em 1971, João Ubaldo publicou o romance " Vida Real",
mas é com " Sargento Getúlio ",do mesmo ano, que seu nome se tornaria famoso.Es-
se romance o consagrou como um valor excepcional no panorama da literatura bra -
sileira e em pouco tempo era traduzido para o inglês e o francês ,sendo entusiatica -
mente recebido pelo público e pela crítica internacionais.Adaptado para o cinema pe-
lo diretor Hermano Pena, com o ator Lima Duarte no papel título, a obra tornou-
se um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.Em 1974, publicou."Ven-
cecavalo e o outro povo"a,uma reunião de cinco novelas, nas quais o autor incursio -
na com grande habilidade pelo fantástico e exibe um humor debochado, ao narrarar
situações extraídas da vida popular " Livro de histórias",de 1981, comprova o po-
der narrativo de João Ubado em textos despojados e tocados pela magia, com perso -
nagens profundas e grande liberdade de linguagem. São aventuras e desventuras --
tragicômicas que mostram a sabedoria e a coragem com que o povo de Itaparica, e
do sertão baiano enfrenta os desafios da vida. O último livro do autor é este "Viva o
povo brasileiro", de 1984,que propaorciona ao leitor um mergulho no inconsciente co-
letivo, mitológico, misterioso e vibrante de nosso país. Em 1985, o livro recebia o prê -
mio Jabuti e o Golfinho de Ouro. Hoje, o escritor é reconhecido como um dos mil sig-
nificado da Amércia Latina, com traduções em mais de dez idiomas, em todo o mun-
do.Um ótimo final de semana para a senhora e para o senhor, Dalvino José Zeferino.
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