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日志


10月31日

" A FINALIDADE DOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRIOS " POR EDMUNDO MAIA DO LIVRO INSTANTÂNEOS NA VIDA DE UM PSIQUIATRA.ÀS FLS 110/115.

 
                                     A FINALIDADE DOS HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS
                                        Escrito pelo Dr.Edmundo Maia/médico psiquiátrico
                   "Antes não ter Hospital Psiquiátrico
                                   do que er maus Hospitais Psiquiátricos"
                                  (recomendação da OMS)
 
                               "Não é o lugar que eleva o homem. É o homem
                                que eleva o lugar".(Calderon).
 
                                                           O Mundo transforma-se vertiginosamente. Surgem a cada dia novas condições
                 de vida material, sanitária e econômica. Novas formas de educação e de convivência social.Novos -
                 tipos de relações familiares e de relações humanas. Novas exigências. Novas ou maiores dificulda  -
                 des, ao lado, é certo, de mais conforto e de mais facilidade. Novos conflitos, ou melhor, maiores con-
                 flitos.E de tudo isso parece resultar que a Humanidade sofre de um desespero vago, padece de -
                 angústias mal definidas. Como se estivesse à  procura de Fé, de Esperança, de Paz, de Harmonia,
                 de tranquailiade.Dos indivíduos com fraquezas constitucionais, os indivíduos mal preparados psico -
                 logicamente para enfrentarem a vida real descompensam. Desajustam-se. Desequilibram-se.Causam
                 transtornos sociais. Sofrem e fazem sofrer. Surge, então, uma nova sociologia das pertubações
                 mentais das neuroses e dos sofrimentos corporais de origem psicológica.A tomada de consciência da
                 saúde mental dos povos participa dos grandes problemas da evolução histórica da nossa época. A
                 situação mental da Humanidade é trágica.Requer cuidados e atenções especiais. E somos nós, Srs(os).e
                 Shs(as),os psiquiatras, os mais indicados a enfrentar esse problema. O problema número 1 de saúde Pú-
                 blica,no sentido de despertarmos o interesse pela Higiene Mental. De fazermos a Psiquiatria Preven -
                 tiva. De dinamizarmos a Psiquiatria curativa em todos os seus setores de praticarmos a reabilitação
                 do doente mental.Os progressos da Psiquiatria permitem afirmar que a função dos serviços de Saúde
                 Mental, hoje, não mais se restringe ao internamento dos doentes.Mas, sim, ao seu tratammmento e a
                 sua recuperação social.Será de maior eficiência,a meu ver, uma organização longitudinal harmoniosa:
                 ambulatórios, hospital, centros de recuperação, do que o desenvolvimento transversal, em que o país,
                 por exemplo, fique dotado de uma série de bons hospitaais ou clínicas psiquiátricas.A distribuição dos
                 leitos psiquiátricos deve, segundo opinião da Comissão Dinamarquesa, obedecer ao seguinte esque-
                 ma: 10 % em setores psiquiátricos de hospitais gerais 60 % em hospitais psiquiátricos e 30 % em cen-
                 tros de recuperaçãoa e colocaçãoa extra-familiar.Moaclay pensa que 50 % dos leitos dos hospitais psi-
                 quiátricos poderiam ser substituídos do seguinte modo : 10 % para melhoria dos serviços de consul -
                 tas externa e domiciliar;10a % para serviços de pós- cura; 5 % para seções psiquiátricas de hospi  -
                 tais gerais; 25 % para serviços de recuperação e adptação para doentes de evolução prolongada.
                 Insisto em repetir que a orientação maoderna da Psiquiatria faz do hospital, não mais um asílo e,sim,
                 um centro de cura e de recuperação. Não mais basta confirnarmos os doentes mentais.Não mais bas-
                 ta apoiarmos os métodos de tratamento biológicos mais ativos.Torna-se necessário utilizarmo-nos de
                 toda vida social do hospital para a recuperação ae reintegração do doente. O hospital deve ser, como
                 dizia Esquirol, um instrumento de tratamento.E par que isso aconteça. Srs. e Sra.,é necessário  a
                 a dedicação, o esforço, a noção do cumprimento do dever de cada um. Médicos. Enfermeiros.Funcionários
                 Servidores em geral. Do mais simples ao mais graduado.Sabemos que grande número de leitos é ocupa-
                 do por doentes crônicos. Em geral consideramos casos perdidos. E pouco ou nada fazemos por tais -
                 doentes. Solomon afirma,porém, que o tratamento dos doentes mentais crônicos continua a ser um dos
                 grandes deveres do psiquiatra. Enternar estes doentes em asilos ou em grandes hospitais, onde se acu-
                 mulam numa atmosfera de tristeza, desespero e deterioração, é um erro. Um erro grave. Pois somos
                 que muitos dos doentes que vivem asilados são suscetíveis, desde que existem serviços sociais psiquiá-
                 tricos, a serem adaptados à vida social.Sabemos também que nos rendes hospitais psiquiátricos estão
                 inernados doentes suscetíveis de viverem no exterior, desde que tratados adequadamente. Graças aos
                 modernos recursos terapêuticos recuperam-se de modo estável muitos doentes com 10, 15 , até 20 anos
                 de internação hospitalar, enquanto antes, a possibilidade de obter alta era uma para cem.Garrat estudou
                 a população dos hospitais psiquiátricos de Biringham e deduziu que: 12 % dos doentes não precisavam
                 estar hospitalizados e 40 % podiamaa ser tratados fora dos hospitais psiquiátricos.Backer, diretor do Hos-
                 pital de Banstead, afirma que os 2.450 doentes aí internados poderiam ser substituidos, com vantagem
                 por um hospital de 300 leitos, desde que existissem serviços de pós-cura do tipo dos albergues e oficinas
                 protegidas.
                                                 Buscamos a verdade com nossos doentes e nos não percamos com teorias ou escolas,
                 que podem retardar a evolução da Psicologia e da Psiquiatria, faço minhas as suas palavras. E porque sou
                 psiquiatra eclético, cientifico aos colegas deste serviço que estou disposto a cooperar com qualquer gru-
                 po ou escola psiquiátrica. Desde que seus componentes não fiquem em discussões estéreis. Desde que -
                 cumpram o seu dever de médico, procurando tratar a salvar, das trevas da doença mental, aqueles que
                 sofrem e que precisam de nossa ajuda.
                                                 A todos, jornalistas, sacerdotes, médicos, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros,funcio-
                 nários, pessoas bem intencionadas de qualauer profissão ou classe social, faço um veemente apelo para
                 que, de mãos entrelaçadas, caminhemos interessados, séria e sinceramente, em buscaa de melhorar as
                 condições de vida deste ser complexo que é o homem. Nossa tarefa é grande.Vamos trabalhar, senhores,
                 trabalhar pelo nosso Brasil.Um ótimo final de semana para o senhor, e para a senhora, são os sinceros vo-
                 tos de Dalvino José Zeferino.

" MACONHA,A ERVA MALDITA DO LIVRO DO Dr.Edmundo Maia INSTANTÂNEOS NA VIA DE UM PSIQUIATRA às fls.79/82.

                                    
                                       M A C O N H A   A  ERVA  M A L D I T A
                                             P/Dr.Psiquiatra Dr.Emundo Maia.
                                       A porta de entrada e o primeiro degrau para a escalada da toximania ou
                       dependência geralmente  a maconha. Por seu fácil comércio e por seu baixo cus-
                       to.A  MACONHA, a " ERVA MALDITA ", o viciado passa às " bolinhas ".Daqui, para
                       as " PICADAS "é um pulo. depois, chega ao "ácido " (LSD). A seguir ao " PÒ "(cocaí-
                       na.Até chegar ao último degrau, a heroína.A MACONHA foi usada inicialmente para
                       fins indústriais na fabricação de fibras para corda. Para tal fim, o imperador chinês
                       Shen Nung,a cerca de 2.800 A.C, incentivava o cultivo do cânhamo " Tsing Ma",
                       que é a nossa maconha. Na India,Susruta, no ano de 1.000 A.C - referia-
                       se a ela sob o nome de "ganja ", a " ERVA DOS FAQUIRES". No século VIII A.C,    na
                       Assíria, era conhecida sob o nome "Qunabu", provável origem da palavra "Cannabis".
                       No oriente Médio, chamava-se " hashish ". Esta, na realidade, é uma mistura    de
                       maconha fervida com manteiga ( de camelo) e temperada com mel, noz - mosacada
                       e pistache.Devido sua alta concentração de resina, é cinco a seis vezes mais forte
                       que a  MACONHA comum . Os árabes fumam-na no cachimbo especial chamada "NAR-
                       GHILLÉ".No Brasil deu entrada em 1549, trazida pelos escravos negros. Chama -
                       vam-na " FUMO DE ANGOLA ". Depois recebeu outros nomes: " PANGO ","RIAMBA",
                       "diamba", "liamba", "aliamba", " umabuaru ", " gererê,"  "birro"," dirijo","atchi","fumo-
                       bravo",erva-do-diabo" e outros.Em 1800, invadiu a Europa. Na  Rússia, usavam-na ,
                       sob a forma de rapé, com o nome de " anaschá".Na Iatália, chamavaa-se " canapa".
                       Na Espanha, "cânhamo".Na França, " chanvre".Na Bélgica, "Kemp". Na Polônia,"Konopj".
                       Em outros países, sempe com nomes diferentes. O poder toxígeno da  MACONHA de -
                       pende do terreno em que cresce. E, das partes da planta que entram na mistura   da
                       droga. A planta feminina é mais alta e mais alta e mais tóxica que a masculina.   Os
                       traficantes costumam adulterar a maconha, para obterem maiores lucros, associando
                       erva-macaé, chá, oréga no, malva e outras plantas. Até capim. A fumaça de MACON-
                       HA cheira a alfafa ou mato verde queimando. acom a adição de mel de abelha,para dis-
                       farçar o cheiro característico, a substância adquire odor similar ao do estragado.O  -
                       principal ingrediente ativo da maconha é o ácido tetrahidrocanabinol, ou ATHC, desco-
                       berto em 1940 e sintetizado em 1964, por Garone e Mechoulan.A maior ou menor efi -
                       cácia da maconha depende do teor do THC. Os viaciados usam, além dos " baseados "
                       (1,70 g) e dos " fububgis" ( 1.00g), outras embalagens, como " trouxinhas", " morrões",
                       "dolares, " bombas", mutucas",. Em Cuba, há preferência para " chicharra", cigarro típico,
                       uso coletivo. Nos Estados Unidos, surgem agora os pequenos e sofisticados " marihuana
                       pipes".Os "BASEADOS",e " FININHOS"são adquiridos pelo próprio " viciado".Ou comprados
                       ao " VAPOR "pequeno traficante que " TRANZA", para manter o próprio vício. Os VAPO -
                       RES, ligam-se aos grandes traficantes das " bocas - de - fumo ".Estas estão ligadas ao
                       "PAIÓIS" ou armazéns.Que são abastecidos pelo matuto. O matuto traz erva do Nordes-
                       te, em maias de viagem, nos pneus de caminhões, nos tambores de gasolina.Isso sob o
                       patrocinio do " MAGNATA  ".QUE É DESCONHECIDO PELA MAIORIA DA " GANG".E que
                       sem correr riscos diretos, obtém os maiores alucros do crime.Há ainda os abastecedores
                       autonomos, que trabalham ao lado de verdadeiras organizações criminosas.Os maconhei-
                       ros tendem a reunir-se em grupos, formando por vees verdadeiras comunidades, ou
                       "gang".Que seguem as ordens de um líder, o cabeça-feita".Geralmente psicopata ou um
                       paranóide.Os efeitos decorrentes do uso da maconha dependem da quantidade absorvi-
                       da das circunstãncias em que foi usada, da sensailidade e do caráter do viciado, enfim da
                       estrutura bio - psico-física do indivíduo.Os efeitos maléficos da MAONHA, sobre o Sistema
                       Nervoso Central e o Sistema Neuro - Vegetativo manifestam-se 20 a 30 minutos após seu
                       uso. De início, sobretudo nos principiantes, podem ocorrer náuseas,a vômitos, vertigens,
                       tonturas. E palidez, seguida de ruborização da pele.A seguir, o usuário mostra um "FACIES"
                       característico - expressão de cinismo,blefaroptose que causa estreitamento da fenda pal-
                       pebral ( " olhar de mormaço",congestão ocular( olhos avermelhados), epífora(lacriameja-
                       mento) e midriáse (dilatação da pupila, da " menina dos olhos").A palavra passa a ser arras-
                       tada.A mucosa bucal torna-se ressequida. A saliva, espessa e escassa; daí o maconhado não
                       consegue cuspir.Torna-se também ansioso.Angustiado , com fobias.Rosto e mãos suadas.
                       Respiração lenta e superficiial. Batimentos cárdíacos aumentados. Pressão sanguínea alterada.
                       Diminuição da coordenação dos movimentos ( ataxia). Pode sentir-se leve ou ter a senasação
                       de estar plainando, ao locomover-se. Pode apresentar vivência do tempo alterada (lenta).La-
                       bilidade de humor; risos imotivados podem converte-se em choro convulsivo.Comportamento
                       nessa fase, francamente irritável, confuso, paranóide, desconfiado, " grilado ".A partir dos 30
                       ou 40 minutos, o maconhado passa apresentar sensações de euforia ( ou de tristeza). Rela-
                       xamento muscular; falso bem - estar. Volubilidade verbal. Vivacidade mental. Criatividade au-
                       mentada, mas distorcida. E extravagante, ao lado de uma perda e autocritica. Juízo moral
                       deterioarado. Inibições diminuídas ou ausentes. Auto - suficiência hipertrofiada. Reações
                       emocionais sem controle. De feitos do caráter acentuados, impúlsos instintivos negativos li-
                       vres,soltos,libido diminuida, não obstante surja, de inicio, um   aumento duvidoso, e passagei-
                       ro, das sensações sexuais.Ao cabo de 90 minutos , o MACONHADO mergulha num estado de
                       embriaguez. Passa então a ter ilusões, ou pseudo-alucinações características,com a realização
                       falsa de esperanças fomentadas. No auge da " onda", o paciente,em transe, vive sua própria
                       imaginação.O pensamento parece-lhe um sonho.Facina-se por determinado tema, que repete.
                       Como, por exemplo, uma melodia.Depois, pode adormecer. Ou entrar em pânico. e tornar-se violento.
                       até agressivo. Este êxtase prolonga-se por 3 a 12 horas. Ao despertar, o individuo pode lem-
                       brar-se de tudo o que se ocorreu.Depende do estado oniróide. Ou tambem se não recordar
                       de  nada. Neste caso, deve ter tido uma ausência, provavelmente por ser portador de elemen-
                       tos da  linha epilética.O uso prolongado, crônico da MACONHA, produz efeitos constatados à
                       distância. " FACIES", aparvalhado. Pele pálida, acinzentada. Emagrecimento.Inflamação das
                       mucosas.Perda da iniciativa. Passividade. Dimuiação da capacidade de concentração. Lentidão na
                       associação de idéias rouqudão. Embotamento dos valores éticos. Impotência sexual.Nos predispo-
                       tos, podem desencadear-se sustos psicóticos ou manifestar-se convulsões epileptiformes.É
                       contra-argumentar, com firmeza, frente áqueles ( MACONHEIROS OU TRAFICANTES GERA LMENTE)
                       que defendem o uso livre da maconha, a erva maldita. A porta de entrada e o primeiro degrau
                       para a escalada da dependência ou toxicomania, o que torna mais ameaçadora para o bem públi-
                       co. Um  ótimo final de semana para o senhor , e para a senhora, é o que deseja Dalvino José Ze-
                       ferino.
                    
                      
          
                        
 
10月28日

"ALCOOL - ESSE FLAGELO SOCIAL "- DO ESCRITOR EDMUNDO MAIA ÀS FLS 83/88-DO LIVRO INSTANTÂNEOS (NA VIDA DE UM PSIQUIATRA).

                                                                                   
                                             ÁLCOOL  ESSE FLAGELO SOCIAL
                        O Álcool,cujo termo vem do árabe - AL - KOHOL quer dizer o sutil. É conhecido
                      desde os tempos mais remotos.Segundo os alquimistas árabes, o álcool era produto es-
                      pirituoso e inflamável da destilação do vinho, que é o licor obtido pela fermentação    da
                      uva.Hoje, porém, prepara-se o álcool também  pela  fermentação  de  outros   vegetais ,
                      como beterraba, milho, arroz, cana-de-açúcar(donde a conhecida " PINGA", ou CACHAÇA,
                      brasileira,laranja,caju, mandioca(da qual se faz a aguardente chamada " CAXIRI",    dos
                      índios do Brasil e se pretende fazer álcool-combustível, em substituição ao petróleo).
                              Há vários modos de o indivíduo alcoolizar-se. Um deles é beber continuadamente.
                     Ao cabo de algum tempo, a vítima mergulhará no legítimo " estado alcoólico". Outros be-
                     bem por fasaes cíclicas, por surtos períódicos, nas quais se vêm impulsionados a beber -
                     sem controle, sem poder parar, após o primeiro gole. Estes constituem os casos graves
                     de DIPSOMANIA.Tanto uns como outros, dentro de algum tempo variável, para cada pes-
                     soa, apresentarão grave impregnação tóxica no cérebro e nos demais órgãos. Como fíga-
                     do, estômago, coração, baço, rins, sistema nervoso.Segundo uma lenda.Noé(ou Adão),
                     teria sido o primeiro homem a plantar a vinha. A lenda conta que o Diabo irrigou a videi-
                     ra com sangue de 3 animais: o macaco, o leão e o porco,que simbolizam as fases do alco-
                     olismo agudo. Na fase do macaco (1ª ), a pessoa fica irriquieta, buliçosa, desinibida.Seria
                     o período " social", das reuniões sociais. Torna-se loquaz. Relata até segredos íntimos.Daí
                     a expressão" ain vino veritas".às vezes, após esse período inicial, o embriagado apresenta-
                     se calado, deprimido, taciturno, sonolento. Na fase do leão (2 ª), torna-se violento, impúl-
                     sivo e agressivo, oferecendo perigo aos circunstantes. Pode até cometer crimes de gravi -
                     dades.Na última fase , a do porco (3ª),o "BEBUM"a, perde a compustura, baba , lambuza-se,
                     fica  sórdido,cai em sono profundo.O alcoolismo manifesta-se sob diversas formas clínicas.
                     Ei-las, numa síntese informativa.
                     
                                 EMBRIAGUEZ PATOLÓGIA - após a ingestão de pequena quantidade de qualquer be-
                     bida alcoólica, a pessoa entra nun estado de ofuscação mental e libera sua impulsividade e
                     agressividade, praticando atos anti-sociais, passada esta crise,geralmente o paciente de
                     nada se recorda. Ou se lembrará vaga e fragmentariamente do que lhe aconteceu.
 
                                ALUCINOSE ALCOÓLICA - O alcoólatra, neste estado, "ouve " vozes imaginárias, que
                    ofendem, " vê " imagens que o perseguem e tentam matá-lo, " sente", bichos correrem sobre
                    sua pele...
 
                                DELÍRIO ALCOOLICO DE CIÚME - O alcoolista enfraquecido sexualmente, sente-se traí-
                   do pela esposa e vive cismado, desconfiado, interpretando mal os fatos, na expectativa de  fra-
                   gar adultério...
 
                               DELIRIUM TREMENS - É o estado de muita gravidade 20% destes casos chegam à morte.
                  O paciente apresenta remores e suores abundantes. Torna-se confuso. Desorientado.Delirante .
                  Alucinado. Vê e ouve coisas fantásticas e horripilantes, que o angustiam e o aterrorizam
                  como animais (zoopsias)  em tamanho reduzido (micropsias).
 
                               DIPOSOMANIA -Ocorre naquelas pessoas que passam  dias, semanas ou meses sem be -
                 ber.Mas qando bebem, o fazem comapulsivamente. Numa espécie de sede insaciável, de fúria.
                 Beben dias seguidos sem conseguirem parar. Alimentando-se mal. Dormindo pouco. Enfraque-
                 cendo.Muitas vezes, há necessidade de interná-los para evitar complicações maiores,como o DE-
                 LIRIUMA TREMENS, o coma alcoólico a morte.
 
                               EPLEPSIA ALCOÓLICA-O álcool exerce ação tóxica irritativa sobre as células cerebrais
                desorganizando o rítimo de suas atividades elétricas e favorecendo o desencadeamento de crises
                convulsivas epiletiformes ou epiléticas.
 
                              PALINERVRITE ALCOÓLICA- O álcool, na sua ação nefasta e destruidora pelo organísmo
                do beberrão, provoca, com o tempo, a inflamação extensa dos nervos, produzindo paralisias sobre-
                tudo dos membros inferiores, levando o indivíduo à invalidez precoce.
 
                             NEURITE ÓTICA - Se a inflamação atingir os nervos óticos, o alcoolista chegará à aceguei -
                ra completa.
 
 
                            DEMÊNCIA ALOÓLICA- Nos estágios finais do alcoolismo, manifesta-se a perda da dignida-
               de, o desrespeito à moral, a ausência do senso crítico, o rebaixamento da inteligência, a deterioração
               da personalidade.
 
                            Sem dúvidas alguma, o álcool é tóxico dos mais perigosos. Vimos suas formas clínicas na
               área neuro-psiquiátrica .Agora, completarei a informação, fazeno referênciasa ao órgão mais afeta-
               do, nos alcoolistas o fígado.
                            O álcool,a chegando ao fáigado, é atacado por enzimas que libertam dele o hidrogênio e assim
               produzem o acetaldeído que, por sua vez, é decomposto, dando ácido acético e, finalmente, bióxido de
               carbono e água. O excesso de hidrogênio interfere nos ciclos metabólicos normais,produzindo lactato,
               em lugar de glicose. O alcoolico que bebe muito e come pouco,não recebe os hidratos de carbono que
               o corpo necessita. Disso resultará baixo teor de glicose no sangue a hipoglicemia comum nos pacien-
               tes atendidos nos hospitais.Essa hipoglicemia pode causar uma série de perturbações, inclusive cerebrais,
               que explica muitos casos de morte.O problema do alcoolismo é médico - social. E não policial. O alcoolismo
               deve ser considerado como doença. as causas do alcoolísmo estão radicadas, como foi dito, em fatores de
               ordem biologica, psicológica ou social, geralmente entrelaçados e não isolados. Cuidarmos só de atender
               ao alcoólatra, dando-lhe assistência e tratamento, é alguma coisa, sem dúvida. Mas é pouco, ser refletir-
               mos que o mais importante e válido seria levantarmos a bandeira da campanha de prevenção ao alco-
               olismo. Campanha permanente, atingindo todas as classes sociais e alertando mais a juventude para  seus
               maleficios. O Dr.Edmundo Maia é psiquiátrico(médico) nasceu em 21 de março de 1920. Diplomou-se em 1943,
               na Faculdade Nacional de Mediicina Praia Vermelha no Rio de Janeiro.Um feliz final de semana para o sen-
               hor e para a Senhora, é o que deseja Dalvino José Zeferino.
 
                           
                              
                     
                             
10月14日

" AMARRADO AO DIVÃ " POR DALVINO JOSÉ ZEFERINO

 
                                  AMARRADO AO DIVÃ ( POR DALVINO)
                                 
                                 Logo em sua primeira sessão de análise um militar que transborda arrogância apresenta
                    uma demanda ao doutor Paul Weston (  Gabriel Byrne); como ele é o cliente ali, espera que a con -
                    sulta siga aos rumos que gostaria. Ai que o psicoterapeuta observa: " Nesse negócio, infelismente
                    o cliente nunca tem razão". Nem o próprio Weston, frize-se, tem imunidade. É o que se verifica na
                    série EM TERAPIA, ao terapeuta que entra como sujeito, empático, compreensivo, modelo para  o
                    paciente, a psianálise de orientaçãoa lacaniana opõe-se o psicanalista como presença libidinal, vivo
                    que dança conforme a música; pertubador, para os pacientes alojados demais em seu sintoma,apa-
                    ziguador, para os pertuarbados demais,estressados, para os desorganizados,etc. com cada pacien-
                    te, o psicanalista terá que encontrar o tom que convém e deixar-se usar como semblante de objeto,
                    com o qual o sujeito - sintoma faz sua parceria.A esse respeito,temos um exemplo interessante do
                    que Lacam chama, TRANSFERÊNCIA,de uma ação do analista, indicado ao nível de uma "ANÁ-
                    LISE DE TRANSFERÊNCIA".Num dos raros momentos em que fala de seus pacientes,Lacan men-
                    ciona uma paciente que toma todas as suas liberdade na sua vida conjugal e que soube manter -
                    no seio de sua família, um campo de forças centrado estritamente sobre suas exigências libidinais.
                    Lacan é colocado, pela paciente, no lugar do seu ideal do "EU",na medida em que ele é o ponto ide-
                    al em que a ordem se mantém, para que toda a sua desordem possa acontecer. Lacan não deve,em
                    hipótese alguma, para esta mulher, passar por um imoralista. É aqui que o analista tem sua pala-
                    vra a dizer, mantendo aberto um abismo por baixo das certez as dela.Neste texto pretendo cercar as
                    condições e os princípios que propiciam uma análise ordenada em direção ao real sintoma, a parte -
                    da análise torna-se dificil; de tratar, de ceder, sua parte do gozo,e que toma no sujeito forma de re-
                    petição, parte do sintoma na qual a palavra não tem efeito o ato analítico sendo o que pode tocá -
                    lo de alguma maneira.O tema deste texto,me sugeriu um trabalho onde pudesse abordar a dissime-
                    tria própria à natureza humana como um instrumento a ser utilizado pelo dispositivo análitico.À per-
                    cepção da falta de paridade nas circunstâncias da vida de uma paciente, após uma experiência trau-
                    mática, lhe serviu de porta de entrada para a experiência análitica,acionando a disparidade subjeti-
                    va ao trabalho de TRANSFERÊNCIA; parece que o Dr.Paul Weston em analizá-la teve a ética de não
                    ceder aos encantos dessa CONTRA -TRANSFERÊNCIA, a paciente analizada ai,cedeu aos encantos do
                    analista, mais que a análise continua.Freud chamava essa analise muito bem de CONTRA-TRANSFE-
                    RÊNCIA>.Um ótimo final de semana para o senhor, e para a senhora, Dalvino José Zeferino.
10月8日

" O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ " AUT.STEPHEN HAWKING- DO LIVRO

                                       
                                          STEPHEN  HAWKING _ " O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ "
                                          -----------------------------------------------------------------------------
                             Em 1988,quando Uma breve história do tempo foi originalmente publicado, a definitiva
                       Teoria de Tudo parecia despontar no horizonte. Como a situação mudou desde então ?.Es -
                       tamos mais perto de nossa meta ?. Como será descrito neste livro, avançamos muito desde
                       então.Mas a viagem continua, e o final ainda não está à vista. Segundo o velho ditado,    é
                       melhor viajar com esperança do que chegar. Nossa busca de descobertas alimenta nossa cria-
                       tividade em todos os campos, não apenas na ciência. Se chegásasemos ao fim da linha,o espí-
                       rito humano definharia e morreria. Mas não creio  que um dia sossegaremos,aumentaremos
                       em complexidade, se não em profundidade, e seremos sempre o centro de um horizonte   de
                       possibilidades em expansão. Quero compartilhar meu entusiasmo pelas descobertas que vêm
                       sendo feitas e pelo quadro da realidade que está emergindo. Concentrei-me em áreas nas   --
                       quais trabalhei pessoalmente para que houvesse umaa maior sensação de proximidade. Os de-
                       talhes do trabalho são muito técnicos, mas acredito que as ideias gerais possam ser transmiti -
                       das sem muito bagagem matemática. Só espero que tenha conseguido. Segundo Stephen,rece-
                       beu muita ajuda para a elaboração deste livro.Stephen Hawking.Um ótimo final de semana pa-
                       ra o senhor e para a senhora, Dalvino José Zeferino.
10月7日

" OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO " AUT. ERICO VERISIMO.

                                             
                                                                 CRÔNICA HISTÓRICA
                          É muito difícil imaginar o impacto do processo deflagrado ou acelerado
                 na vida brasileira Revolução de 30 - acontecimento que está no pano de fun-
                 do de "OLHAI OS LIRIOS DO CAMPO", sem pensar na vida cotidiana e na paisa-
                 gem em que viviam as pessoas então.Lemos muitas vezes: "A Revolução de 30 é
                 responsável pela criação do Brasil moderno",ou " A partir do 30 e depois do Es-
                 tado Novo começa de fato a industrialização do país".Encontramos interpreta-
                 ções polêmicas sobre a Revoução de 30 e o regime que ela inaugurou, ora cha-
                 mado de " modernizador", ora de " ditadura". Porém tudo isso fica abstrato  se
                 não atentarmos para as modificações ocorridas na vida do cidadão comum.
                        Cmecemos por um esfôrço imaginativo: como seria a vida antes do caminho
                 que a Revolução inaugurou, os sinalizou ? Era muito diferente ?.Era. Algumas
                 coisas podemos dizer e até imaginar com facilidade: um mundo sem computado-
                 res ( o reino da pequena tela começa no Brasil lá pelos anos 80),sem televisão, o
                 rádio era novidade, o cinema falado também, o automóvel um luxo.. O que mais?.
                 Da sala (reino da TV) ou do escritório (principado do computador),passemos
                 à cozinha. Imaginemos um mundo sem Bombril, sem detergente, sòmente com
                 fogão a lenha(que serviam inclusive para esquentar água para o banho),sem pane-
                 las de alumínio e, na maioria das casas, sem geladeira .Apenas as famílias mais abo-
                 nadas dispunham de frigorífico doméstico .Esse frigorífico tinha dois compartimen-
                 tos: no de cima punha-se uma grande barra de gelo e no de baixo a carne e o  -
                 leite se houvesse. Na falta desse notável avanço tecnológico, a solução era consu-
                 mir charque ou carne - de - sol, que dispensam refrigeração. O leite era entregue de
                 porta em porta pelos leiteiros, que às vezes vinham de autênticas zonas rurais mui-
                 to próximas, ou encravada nas cidades.Também de casa em casa entregava-se a  -
                 lenha para o fogão, comprada em " talhas", um feixe de achas amarradas que preci-
                 savam ser partidas em vários pedaços para caber no fogão. Depois das refeições, as
                 mulheres pasasavam horas areando, coma areia ou pó de tijolo, as panelas de ferro
                 para tirar-lhe a tisna. Depois de arear as panelas, iam para o tanque lavar roupa. As
                 peças brancas, depois de ensaboadas, eram estendidas ao sol para quarar, prática
                 hoje  substituída pelo uso de alvejante.Para passar roupa só havia ferro a carvão.Pa-
                 ra alisar as calças, antes de dormir os homens as ajeitavam entre o colchão e estrado
                 da cama.As famílias mais ricas costumavam contratar lavadeiras e passadeiras.Não
                 raro, as mulheres lavavam roupa nos rios próximos às cidades (como o Guaiba,de
                 Porto Alegre de Erico) ou mesmo nos riachos que as atravessavam. Muitas dessas pra-
                 ticas subsistiram até meados do século XX e ainda podem ser encontradas em locais
                 isolados, mas naquele período eram dominantes até nos centros metropolitanos.No
                 escriório, não havia canetas esferográfias; a caneta -tinteiro, por ser novidade, era um
                 objeto sofisticado. Quem a usava era "rico"e "moderno".Na escola, as crianças usavam
                 tinteiros portáteis para molhar a caneta de pena de ferro ou aço (esta, caríssima, era -
                 muito mais durável, pois de tão ácida, a tinta corroía as de ferro). As carteiras escolares
                 tinham orifícios circulares a um canto para receberem os tinteiros sem risco de derra-
                 mamento de tinta.A noite, sem mais o que fazer, as pessoas tinham o hábito de escre -
                 ver cartas. E como !. Muitas vezes escreviam todas as noites, e várias cartas por noite.
                 Telefone era coisa de rico, o correio aéreo mal começara, as cartas demoravam uma
                 semana, quinze dias ou mesmo um mês para chegar, se vinham do exterior pois viaja-
                 va de trem ou navio. A maioria das pessoas, contudo, era analfabeta ou mal conhecia as primeiras le  -
                 tras.Tudo era muito precário: no país não havia universidade nem indústria pesada.Existiam faculda-
                 des de engenharia, direito e medicina; a indústriaa era pouca, leve, e frequentamente
                 quase artesanal. A maioria das empresas era familiar. Os brinquedos eram importa -
                 dos ou improvisados pelas crianças com muita criatividade. E o mundo do trabalho ?.
                 Nas poucas fábricas existentes, o trabalho era duríssimo. Jornadas de dez, doze e até
                 quinze horas diárias era até as oito da noite. Não havia salário mínimo, previdência
                 social, férias ou descanso remunerado. Os patrões, na cidade e no campo, chamavam
                 -se orgulhosamente de " classe conservadoras". Para apasiguar os ânimos temores,al-
                 guns manifestos apresentaram a própria Revolução de 30 como " conservadora".....
                 "Revolução conservadora" !.Só no Brasil, dirá alguém mais irônico. E hoje em dia nin-
                 guém mais quer ser " conservador". Nas ruas, ainda era possível encontrar negros nas-
                 cido escravos, bem como velhinhos veteranos da Guerra do Paraguai e do Rio Grande
                 do Sul das muitas revoluções. Dos cem anos do século XIX, o estado passara quase cin -
                 quenta mobilizado para alguma guerra, e os outros cinquenta chorando ou lembrando
                 os mortos.No comércio ou nas repartições públicas, a situação era mais amenas,embora
                 não houvesse nenhum tipo de segurança no emprego.Ai do funcionário público que vol-
                 tasse contra o governo. Perdia o emprego no dia seguinte, e não fatava que substituísse.
                 Em Solo de clarineta, seu livro de memóriasa, o próprio Erico confessa que em 1930,ao
                 se mudar de Cruz Alta, sua cidade natal, para Porto Alegre, preferia não se tornar fun-
                 cionário público.Diz ele: " Associava essa condição à necessidade de votar sempre submis-
                 samente, com o governo."Como isso era possível ?E que o voto não era secreto.Nas
                 eleições, o cidadão ia até uma junta eleitoral e la assinava a lista de seu candidado "pre-
                 ferido". Capangas truculentos , no Sul, alguns até com armas debaixo dos ponchos vi-
                 giavam a eleição. E os eleitores!.O voto secreto só foi instituído no Brasil pela Constitui -
                 ção de 1934, que também instaurou em todo o território nacional o voto das mulheres.
                 Antes só os homens votavam.Na eleição de 1932, depois da revolução, em  alguns esta -
                 dos as mulheres votaram  mas só as casadas. Ainda que o Brasil fosse uma república,po-
                 lítica decididamente não era coisa para o povo.Os candidatos à presidência da República
                 por exemplo, apresentavam suas plataformas em reuniões fechadas, com os partidários,
                 autoridades( se fossem do governo), jornalistas e gente importante. Podiam sair festiva -
                 mente às rua, ou mesmo dirigir-se a partidários da sacada de um hotel, mas comícios po-
                 liticos eram coisa para a plebe ou para arruaceiros. Essa foi uma  das grandes inovações
                 da candidatura de Getúlio Vargas em 1929: prenunciando um futuro de líder autoritário
                 e populista de massa, o primeiro ato de sua canpanha foi um comício na Esplanada do
                 Castelo , no Rio de Janeiro a céu aberto. Apesar da enorme popularidade, foi derrotado
                 pelo paulista Júlio Preste, que, rompendo a tradicional política do " café-com leite"a,
                 perdeu o apoio dos mineiros. Em meio a acusações de fraude eleitoral por todo país,a re-
                 volução tornou-se inevitável, e a foto dos cavalos amarrados pelos milicianos gaúchos --
                 no obelisco em frente ao Senado Federal, no Rio de Janeiro, tornoua-se o simbolo de uma
                 nova era. Misturam-se nela ícones do Brasil predominantemente rural, que declinava (os
                 cavalos amarrados), e os da nova urbanidade nascente( a capital federal e a própria foto-
                 grafia).Esse mundo que e a Revolução de 30 abalou, pelas raízes era precário e conserva -
                 dor, mas estável, apesar das contínuas revoltas populares e militares, como a Guerara de
                 Canudos, a do contestado e a Coluna Preste.As oligarquias que sobre ele reinavam man-
                 tiveram-se no poder durante quase um século. Sobreviveram ao fim da escravidão, à que-
                 da do Império e a suessivas crises econômicas, inclusive à de 1929.Esse Brasil estava pre-
                 parado para as rápidas mudanças que os novos tempos anunciavam ou ele; e suas persona-
                 gens, por vezes de horiontes tão estreitos, não teriam como ingessar na nova época, com
                 as divisões drásticas entre direita e esquerda, fascista e comunistas a se espraiarem pelo
                 inteiro ?. Questões dessa natureza ajudam a discernir riqueza de significaos da sófrega --
                 ambição de Eugênio ou da dolorosa serenidade com que Olivia enfrenta a morte. No  ---
                 crespúsculo de uma paisagem que se esfuma, o escritor arguto vislumbra com inquieta -
                 ção a outra que emerge. Um ótimo inicio de semana para o senhor e para a senhora, Dal-
                 vino José Zeferino.
                
10月6日

E S C A L Õ E S / LUIZ FERNANDO VERISSÍMO DO LIVRO ÀS FLS.32/35

 
                                                            E S C A L Õ E S
                                 (DE : LUIZ FERNANDO VERISSÍMO )
 
                       - Sabe quem está muito cotado para fazer parte do govêrno?
                                      - Conta.
                                      - O marido da Alba.
                                      - Que Alba?
                                      - Aquela baixinha você conheceu no cabeleleiro.
                                      - Tenho uma vaga lembrança...
                                      - Uma que pinta o cabelo de cobre. Fala muito barra porque ouviu na novela.
                                      - Acho que sei quem é. Que horror.
                                      - Pois é. Vai para Brasília.
                                      - O marido é militar, é ?
                                      - Não, não. Área econômica. Parece coisa importante.
                                      - Preciso investigar.
                                      - Alô!
                                      - Alô, Albinha ?. Aqui quem fala é Vivian Malheiros de Lima e Lima.Nos conhe-
                                         cemos no ca...
                                      -  Mas claro !.Como vai?.
                                      -  Muito bem. E você?. Já fazendo as malas ?.
                                      - Nem me fala. Uma barra.
                                      - Os amigos podem saber para que posto vai o... o...
                                      - O Jorge Auagusto ?. Olha, Vivian, a coisa ainda é meio secreta. O Jorge Au-
                                         gusto não fala muito no assunto, em casa. Só sei que é coisa certa.
                                      -  Está me cheirando a primeiro escalão
                                      -  A que ?.
                                      -  Ministério, Albinha.E o Jorge Augusto merece.
                                      -  Não sei. Vai ser uma barra...
                                      -  O que é isso, querida ?.Precisamos comemorar. Vocês estão livre na sexta ?.
                                      -  Sexta-feira ?. Bem...
                                      -  Quero oferecer um jantarzinho para vocês,meu bem. Meu marido, de tanto
                                          me ouvir falar em vocês, está louco para conhecer o João Augusto.
                                      -  Jorge Augusto. Olha, acho que vai dar. Mas depois da novela, hein?.
                                      -  Nove e meia, está bem ?.Só nós e mais uns três ou quatro casais.
                                      -  Ótimo, Vivian.
                                      -  As minhas amigas me chamam de Vica.
                                      -  Ótimo,Vica!.
                                      -  Jorge Augusto Souza Santos ?.Nunca ouvi falar.
                                      -  Ou Santos Souza . Por ai.
                                      -  Tem certeza de que é primeiro escalão?.
                                      -  Coisa certa.
                                      -  Estranho...
                                      -  Alô, Vica ?.É a Alba.
                                      -  Oí. Albinha !.
                                      -  Estou telefonando por uma bobagem, mas é que eu sou meio chata nessas
                                          coisas, sabe como é?. O jantar na sua casa,é com que traje?.
                                      -  Esportivo, Albinha, esportivíssimo. Coisa bem informal. É só para os nossos
                                         maridos se conhecerem melhor. Venham como quiserem.
                                      -  Então está bom, Vica.
                                      -  Alguma novidade sobre o posto do Jorge, Albinha?.
                                      -  Ah!.Parece que não é primeiro não
                                      -  Primeiro o quê ?.
                                      -  Escalão.
                                      -  Mmmm.
                                      -  Segundo escalão é até melhor.Mais estável. O tráfego de influência é maior.
                                      -  Espero que você reconheça o que estou fazendo por você,Antônio.Ter que   -
                                         aguentar a tal de Alba...Aposto que ela vem ao meu jantar de tafetá.
                                      -  Alô, Vica ?.
                                      -  Sim , Alba.
                                      -  Sobre o jantar de amanhã, outra vez  O Jorge Augusto queria levar alguma
                                          coisa.Quem sabe um vinho...
                                      -   Não precisa nada. alba . A bebida está incluida no preço.
                                      -   Essa é boa. Vica. Você, hein ?. Uma barra
                                      -  Alguma notícia de Brasíliaa, Alba?.
                                      -  Bom, já sabemos que segundo escalão não é.
                                      -  Terceiro ?.
                                      -  Tem alguma coisa abaixo de terceiro, Vica?.
                                      -  Tem, mas ai já é subsolo, Alba.
                                      -  Parece que e quarto escalão.
                                      -  Já sei. O cara vai ser continuo. Você e as suas amizades, Vica.
                                      -  Minhas amizades não senhor. Nem conheço a peça. E agora ?.O jantar está
                                          marcado.
                                      -  Problema seu.
                                      -  Alô , Sra. Alba Santos Souza?.
                                      -  Souza  Santos.Sim, sou eu
                                      -  Aqui é da parte de Vivian Malheiros de Lima e Lima.A senhora Lima e Lima
                                          lamenta, mas não poderá receber para jantar hoje, como estava combinado.
                                      -  Por quê ? . Algum problema ?.
                                      -  Hepatite.
                                                      
                                                       Um ótimo inicio de semana para o senhor e para a senhora, Dalvino
                                          José Zeferino.
 
 
 
                                     
                                     
                     
10月5日

SARÇA ARDENTE - ELOGIOS FEITO A NÉLIDA PIÑON POR MACHADO DE ASSIS ÁS FLS123/141

 
                                                       SARÇA ARDENTE
                               
                                         " A PALAVRA FOI SEMPRE UMA REFORMA "
                                                              ( MACHADO DE ASSIS )
                          A TEMPORALIDADE DE UMA OBRA LITERÁRIA DEVE SER DEMARCADA NO
                          MOMENTO INAUGURADOR DA SUA LEITURA.OCUPAR UM TEXTO COM 
                          UMA RESERVA DE CONCEITOS É RECUSAR A MATÉRIA DE SUA CRIAÇÃO E
                          NEGAR A REVELAÇÃO DO SEU ENÍGMA. É PREVÊ-LO.POR OUTRO LADO, UMA
                          LEITURA APENAS COMPROMETIDA COM A RIGIDEZ E A OPACIDADE DO TEX-
                          TO EM SUA EXTERIORIDADE RESTRINGE A PERCEPÇÃO DE SUA DINÂMICA E
                          NÃO CHEGA A DESVELAR O CORPO DA NARRATIVA. É PRECISO DESIFRAR O QUE
                          NÃO SE MOSTRA NA SUPERFÍCIE DA LETRA, EM SUA APARÊNCIA, MAS NO QUE
                          O ESCRITOR INSCREVE COM A SUA PALAVRA E O SEU CORPO NO ARGUMENTO
                          DA HISTÓRIA. A OBRA DE NÉLIDA PIÑON EXIGE DO LEITOR QUE SE EMBREN-
                          HE NA SUA INTRIGA PARA PERDER-SE NO MISTÉRIO DA PRÓPRIA CRIAÇÃO, -
                          POIS SEU TEXTO É CRIVADO DE REFERÊNCIAS AO MOVIMENTO DA GÊNESE POÉ-
                          TICA.SUA NARRATIVA INAUGURA ASSUNTOS PARA FUNDAR O TEMA DA IN -
                          VENÇÃO, ORGANIZANDO A LAINGUAGEM PARA CRIAR UM CORPO QUE SOBRE-
                          VIA NO TEMPO AE OCUPE UM LUGAR NA MEMÓRIA. SIGNO DE UM CONHECIMEN-
                          TO QUE SE PERFAZ NO RESGATE DA ORIGEM, A PALAVRA TRAÇA UMA VIAGEM NO
                          ENREDO DA SUA FICÇÃO, CONFUNDINDO O REAL COM O IMAGINÁRIO,NA TARE-
                          FA DE CRIAR UMA POÉTICA QUE ATUALIZE A TENSÃO QUE INDAGA A SUA PRÓ -
                          PRIA ORIGINALIDADE. O SENTIDO DA CRIAÇÃO É SONDAR ESSA IDEIA INICIAL,
                          FAZER DA LINGUAGEM UM CORPO EM TRANSPARÊNCIA. LINGUAGEM  COMO   --
                          FORMA SAGRADA DA RELAÇÃO COM O MUNDO. O MOTIVO DESENCADEADOR
                          DA LINGUAGEM, NO DISCURSO DE NÉLIDA PIÑON, FUNDA-SE NA NESSIDADE
                          DE DESVENDAR O REAL E APROPIAR-SE DAS SUAS QUALIDADE PARA DEFINÍ-LAS.
                          SUA NARRATIVA INTEGRA O SIGNO Á SUA ESSENCIALIDADE, RECARREGANDO-O
                          COM TODOS OS VESTÍGIOS DA SUA ANCESTRALIDADE,E, AO MESMO TEMPO,LI-
                          VRANDO-O DA SUA INOCÊNCIA PELA PAIXÃO DE SE FAZER Á IMAGEM E SEMELHAN-
                          ÇA  DO PRINCÍPIO CRIADOR.A TRANSCEDÊNCIA DO CORPO PELO SACRIFÍCIO O
                          TORNA MEDIADOR ENTRE O REAL A SE FAZER E O MUNDO EXISTENTE, CONSAGRA-
                          DO Á VIDA. O PRINCÍPIO GERADOR CONFUNDE O SER HUMANAO COM A SUA CRI-
                          AÇÃO É TROCA DE SUBSTÂNCIA. VIDA SIGNIFICATIVA A SE FUNDIR NA LINGUAGEM
                          TRANSUSTÂNCIA . AO CORPO É UM EMBLEMA, SE AJUSTA AO PAPEL DE UM SIGNI-
                          FICADO, PERSONA, ROSTO DA PAIXÃO QUE DRAMATIZA SUA MORTALIDADE PARA
                          DESEJAR A ETERNIDADE ATRAVÉS DA CRIAÇÃO. A CRIAÇÃO É O DESTINO, A SALVA-
                          ÇÃO.O SER HUMANO ESTÁ DE PASSAGEM PELA TERRA, SOFRENDO O EXÍLIO DA  -
                          CARNE, POR ISSO SEUS PERSONAGENS SÃO CONVOCADOS PARA ORGANIZAREM A
                          NARRATIVA DESSA PAIXÃO CRIADORA, QUE O PROJETA PARA ALÉM DA PRÓPRIA -
                          VIDA;VENCENDO OS LIMITES DO CORPO ELES VENCEM OS LIMITES DA MORTE, POIS
                          O CORPO É O ÚNICO LIMITE DA MORTE. PENSE NISSO, UM ÓTIMO INICIO DE SEMANA
                          PARA O SENHOR E PARA A SENHORA. DALVINO JOSÉ ZEFERINO.
10月1日

VIVA O POVO BRASIEIRO AUTOR JOÃO UBALDO RIBEIRO `AS FLS.595/596

                                              
                                           O AUTOR E SUA OBRA
                                  Baiano da ilha de Itaparica, onde nasceu a 23 de janeiro de 1941,João Ubaldo
                        Ribeiro foi criado em Sergipe. A Bahia ele voltou para estudar, formando-se em direi-
                        to em Salvador Escreveu desde os tempos de estudante, e seus primeiros trabalhos -
                        literários foram publicados em diversas coletâneas (" Reunião", "Histórias da Bahia" .
                        "Panorama do conto baiano".Em 1962, concluiu seu primeiro romance que intitu - -
                        lou "Semana Pátria".  Mas o editor não aceitou esse título e, seis anos depois, publi-
                        cou-o como " Setembro não tem sentido".Nos anos 60, João Ubaldo lecionou ciência  -
                        política na Universidade  Federal da Bahia,depois de especializar nos Estados Uni -
                        dos.Dessa atividade resultou o ensaio " Política ",publicado em 1981.Ao mesmo tem-
                        po, o escritor dedicava-se intensamente ao jornalísmo, ocupando o cargo de editor- -
                        geral do " Tribuna da Bahia ".Em 1971, João Ubaldo publicou o romance " Vida Real",
                        mas é com " Sargento Getúlio ",do mesmo ano, que seu nome se tornaria famoso.Es-
                        se romance o consagrou como um valor excepcional no panorama da literatura bra -
                        sileira e em pouco tempo era traduzido para o inglês e o francês ,sendo entusiatica  -
                        mente recebido pelo público e pela crítica internacionais.Adaptado para o cinema pe-
                        lo diretor Hermano Pena, com o ator Lima Duarte no papel título, a obra tornou-
                        se um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.Em 1974, publicou."Ven-
                        cecavalo e o outro povo"a,uma reunião de cinco novelas, nas quais o autor incursio -
                        na com grande habilidade pelo fantástico e exibe um humor debochado, ao narrarar
                        situações extraídas da vida popular " Livro de histórias",de 1981, comprova o po-
                        der narrativo de João Ubado em textos despojados e tocados pela magia, com perso -
                        nagens profundas e grande liberdade de linguagem. São aventuras e desventuras  --
                        tragicômicas que mostram a sabedoria e a coragem com que o povo de Itaparica, e
                        do sertão baiano enfrenta os desafios da vida. O último livro do autor é este "Viva  o
                        povo brasileiro", de 1984,que propaorciona ao leitor um mergulho no inconsciente co-
                        letivo, mitológico, misterioso e vibrante de nosso país. Em 1985, o livro recebia o prê -
                        mio Jabuti e o Golfinho de Ouro. Hoje, o escritor é reconhecido como um dos mil sig-
                        nificado da Amércia Latina, com traduções em mais de dez idiomas, em todo o mun-
                        do.Um ótimo final de semana para a senhora e para o senhor, Dalvino José Zeferino.