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日志


4月18日

CRÔNICA E POEMA EM LOUVOR DE HAFIZ DO POETA MANUEL BANDEIRA AS FLS.65 A 67,DO LIVROS QUATRO VOZES.

ONTEM ESTAVA EU ABORRECIDO DA VIDA, MUITO ABORRECIDO, RESOLVI ME EMBRIAGAR COM ÁLCOOL OU COM ÉTER, embriaguei-me das rosas e tulipas de Chiraz, do aroma das tranças negras e dos seios morenos das filhas de Caxemira e de Samarcanda, da agridoce sabedoria dos sufis.Tudo isso se respira ainda em toda a sua frescura nos gazais de Hafiz.Permitam-me um pouco de pedantismo: "gazal" ou " gazel" é uma forma fixa da poesia árabe e persa ,cerca de vinte versos, distribuidos em disticos , e na qual rimam os dois primeiros versos,rima que se repete nos versos pares, e não rimam os ímpares.Hafiz escreveu toda a sua poesia em gazais.O poeta,cujo verdadeiro nome era - respirem um pouco Khwaja shamauddin Mohamammad, nasceu em shiraz, de origem humilde.Mas a melodia dos seus poemas deu-lhe tamanha celebridade que, ao falecer em 1388, o seu túmulo, áa beira do Buknabad se tornou um sitio de romaria e meditação.Túmulo sobre o qual ainda existem um cipreste, a árvore cuja sombra calma ele havia pedido " para o pó dos seus desejos".O cipreste, a que tantas vezes comparou o corpo grande e esbelto da mulher amada...Hafiz é melancólico como todos os poetas da Pérsia,mas sem o travo amargo de Khayyam nem a ironia mordente de Saadi.O mesmo sentimento do efêmero de todas as coisas, do enigma irresolúvel do universo:" Ninguém sabe os segredos de Deus.Por que inquirir do que se passa no turbilhão dos tempos?".Para ele eram vãs todas as palavras sobre a sabedoria: " No dia marcado, Aristóteles entregou a alma como qualquer mendigo." Em que pese a Swedenborg, ."O ouuvido do homem não pode escutar a palavra do anjo".A sabedoria poderá ser a verdadeira fortuna,mas " que vale ela em face do amor?".Mas há rosas, tulipas,narcisos,neste mundo precário.Há rouxinóis, há poesia, há amor.E quando as amadas partem e nos abandonam, há o bem vinho velho.Hafiz foi o grande poeta das ausências, do sulícios das partidas,das chamadas separação, dos desertos da  espera.chorava-as docemente,porque sabia que "A ausência das amadas é que faz da presença delas uma tão profunda alegria...".E as separações lhe inspiraram algumas de suas reflexões mais encantadoras:"A quem pedirei uma lembrança daquela que paprtiu?.O que a brisa murmurou foi-se com a brisa." E no mesmo gazal este conselho tristíssimo mas precioso:"Não procureis reter o vento,mesmo quando soprar ao sabor do seu desejo."Duas imagens de Hafiz que todo poeta gostaria de ter achado para o seu amor: ." a rosa de tua boca é o centro do mundo.""Juro que a tua boca parece uma coisa imaginária, cheia ao mesmo tempo de mistérios e de certezas."Defini o gazal.Agora acabo repetindo aqueles que compus um dia em louvor da Hafiz:
                      Escuta o gazal que fiz,
                      Darling, em louvor de Hafiz:
 
                   - Poeta da Chiraz, teu verso
                     Tuas mágoas e as minhas diz.
 
                     Pois no mistério do mundo
                    Também me sinto infeliz.
 
                    Falaste: "Amarei constante
                   Aquela que não me quis."
 
                   E as filhas de Samarcanda,
                   Cameleiros e sufis.
 
                  Ainda repetem os cantos
                  Em que choras e sorris.
 
                  As bem-amadas ingratas
                  São pó: tu vives, Hafiz!
 
Manuel Bandeira,o excelso poeta que encarna,justifica e exalta toda uma época da vida literária brasileira e mantém atavés dos anos,aquele olhar comovido para tudo que lhe inspira os poemas e aquele gosto das boas prosa que começou com as Crônicas da Província do Brasil, um ótimo final de semana para todos(as) Dalvino José Zeferino.
4月1日

SENETILHO DO FALSO "FERNANDO PESSOA"

FERNANDO PESSOA INCOMODA,incomoda porque não satisfaz a expectativa da maioria dos leitores,que correm atrás de um ponto final.Fernando Pessoa tem a inquietude das coisas que não têm repouso.
 
               SONETILHO DO FALSO FERNANDO PESSOA ( POR CARLOS DRUMOND DE ANDRADE)                             
                                                   
                                                           Onde nasci, morri.
                                                           Onde morri, existo.
                                                            E das peles que visto
                                                            Muitas há que não vi.
 
 
                                                           Sem mim como sem ti
                                                           Posso durar. Desisto
                                                           De tudo quanto é misto
                                                           E que odiei ou senti.
 
 
                                                          Nem Fausto nem Mefisto,
                                                          À Deusa que se ri
                                                          Deste nosso oaristo,
 
                                                         Eis-me a dizer: assisto
                                                         Além, nenhum,aqui,
                                                         Mas não sou eu, nem isto.
 
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-(Carlos Drumond de Andrade)x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Um grande abraço a todos(as), que estão dispostos a visitarem o meu blog,e propuserem a uma leitura,de alguns livros meus, que sempre edito, das páginas para este espaço, e crônica,poesias,e textos de alguns amigos,meu muito obrigado, Dalvino José zeferino.